Um ano após o sucesso de Crash Bandicoot, seus fãs já tiveram o prazer de jogar a sua sequência, maior, melhor e com novas formas de gameplay. Aprendendo alguns detalhes com seu principal concorrente do período, Super Mario 64, a Naughty Dog, manteve o que estava correto e acrescentou inovações úteis que deixaram a aventura mais completa. Abaixo veremos detalhes deste clássico do PlayStation 1 que retornou para os consoles modernos.

O início de mais uma aventura se apresenta.

Crash Bandicoot 2: Cortex Strikes Back é um jogo do gênero plataforma, desenvolvido pela Naughty Dog e publicado pela Sony Computer Entertainment. Lançado, inicialmente, para PlayStation 1 no dia 31 de outubro de 1997. No ano de 2017, esteve presente na coletânea (remake), Crash Bandicoot: N’ Sane Trilogy, para as plataformas, Nintendo Switch, PlayStation 4, Xbox One e PC. 

Abaixo segue trailer de Cash Bandicoot 2: Cortex Strikes Back.

Curiosidade 1: Poucos poderiam imaginar que as vendas de Crash Bandicoot 2 poderiam superar as de seu antecessor, mas aconteceu. Com 7.58 milhões de unidades vendidas, este ficou marcado como o 5º jogo mais vendido de PlayStation 1 e o 1º dentre os títulos de plataforma disponíveis no console. Também é o jogo, não japonês, mais vendido na plataforma na terra do sol nascente. Não era de se estranhar que a franquia teria, logo, uma sequência.

Obs: Recomendamos que seja lido o artigo de Crash Bandicoot 1 já publicado, anteriormente, aqui na Gamer Point. Assim haverá uma melhor compreensão dos detalhes e inovações deste título.

Bastidores

O Programador Andy Gavin.

Imediatamente após perceberem o sucesso que Crash Bandicoot havia proporcionado junto ao público e a crítica, seus desenvolvedores, Jason Rubin e Andy Gavin, começaram quase imediatamente sua sequência em outubro de 1996. Apesar de semelhanças visíveis, a engine foi refeita praticamente em 80%, com a finalidade de melhorar tudo, principalmente sua gameplay.

Naquele ano o jogo mais comentado em todos os meios, possíveis, ligados aos games era o revolucionário Super Mario 64, que, apesar de não fazer sombra para o sucesso do primeiro Crash, ficou gravado na história dos games como um dos maiores “divisores de águas” para tudo que estava para surgir no mercado nos anos seguintes. Jason Rubin viu que algo deveria ser aprendido com o sucesso do mais recente título do bigodudo e acrescentou elementos: como a busca por cristais nas fases (além de simplesmente chegar ao seu fim), a escalada em grades, além da possibilidade de escolher a ordem das fases a serem jogadas.

Abaixo seguem imagens de Super Mario 64.

Para o subtítulo, escolheram Cortex Strikes Back (Cortex Contra-Ataca), como uma clara referência ao filme de Star Wars: O Império Contra-Ataca. Já que muitos o consideram uma sequência que conseguiu superar em tudo, quando comparado com seu antecessor.

Crash e suas publicidades sempre ligadas ao seu bom humor.

Segundo consta, o principal incômodo que os desenvolvedores tinham com o primeiro jogo era sua câmera que atrapalhava em alguns momentos, de forma que aqui tiveram tempo para resolver isto. Do mesmo modo, os diversos estilos de gameplay inéditos, como o surfe e o jetpack estavam nos planos da estreia, porém o tempo não colaborava para acrescentarem estes elementos. Por fim, vale destacar que ambos, Gavin e Rubin, possuem este título como o preferido da franquia Crash Bandicoot.

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A mecânica de surfe está entre as novidades.

Curiosidade 2: Crash é considerado o primeiro personagem 3D a possuir uma diversidade de expressões faciais capazes de expressar seus sentimentos das mais variadas formas. Em seu segundo título percebemos uma grande qualidade na sincronia labial dos personagens poligonais dublados, presentes na sala da Warp Room.

Personagens poligonais dublados e com sincronia labial. Isto um ano antes de Sonic Adventure galera.

Enredo

Abaixo veremos o enredo de Crash, porém nada que estrague a experiência de jogo, já que essas informações se referem apenas ao seu prólogo.

Apesar de muitos não gostarem de fases com gelo, são lindas em Crash 2.

O enredo, como na maioria dos jogos de plataforma, é simples, mas funcional. Tudo começa no exato momento após o final da primeira aventura. Com sua derrota, o Dr. Neo Cortex cai em uma caverna e descobre um misterioso cristal que aparenta ter poderes incríveis. Um ano se passa e Cortex está agora ao lado de outro subordinado, o genial Dr. N Gin, ambos descobrem que são necessários 25 cristais para dar energia o suficiente para a maior de suas invenções, a Cortex Vortex, sendo ela capaz de destruir um planeta, tamanho seu poder.

Dr. Nitrus Brio ainda está presente no enredo da franquia.

Na famosa Ilha do primeiro jogo, passamos agora a ver Crash tirando uma bela soneca ao lado de sua, estreante, irmã Coco. Como uma boa estraga prazeres, ela acorda o irmão pedindo para o mesmo ir atrás de uma bateria nova para seu laptop, já que a dela havia acabado.

No trajeto pelo conhecido caminho, nosso protagonista encontra uma luz diferente que o teletransporta para uma misteriosa Warp Room, local onde, além de diversas portas, está um holograma de Neo Cortex, que pede para que Crash busque os cristais para ele, e Crash aceita (de boa). Aqui começa a aventura de Crash Bandicoot 2.

Até este momento parece que as coisas não seriam muito diferentes.

Curiosidade 3: Como já comentamos anteriormente, Crash é uma exceção quanto a personagens ocidentais que fazem sucesso no oriente. Abaixo segue um vídeo promocional circulado no Japão de Crash Bandicoot 2.

Personagens

Com relação aos personagens da franquia devemos destacar duas coisas. Um deles é o fato de que em Crash 2 termos a estreia de sua irmã, Coco Bandicoot (apesar de não ser jogável). O outro está no detalhe de que dentre os chefes do primeiro jogo, retornaram apenas Ripper Roo e o próprio Neo Cortex, detalhe interessante, visto que todos eram considerados carismáticos, assim como haviam sido bem recebidos pelos críticos.

Saiu a ilha referente ao Donkey Kong Country e entrou a Warp Room com ares de Castelo da Peach de Super Mario 64.

– Ripper Roo: O canguru maluco é o único dos chefes a retornar, provavelmente por não ser muito difícil de ser convencido a adotar uma causa, acaba tentando impedir os avanços de Crash conforme ordens de um outro antigo antagonista. A batalha, apesar de original, segue a base de envolver TNTs e explosões. Não há maiores dificuldades.

Ripeer Roo.

Komodo Bros: Komodo Joe e Komodo Moe são dois Dragões de Comodo criados em laboratório por Neo Cortex e Nitrus Brio, porém devido ao maior convívio com o antigo assistente, acabaram sendo reprogramados para impedir que Crash entregue todos os cristais ao vilão. Sua batalha consegue ser mais fácil que a anterior, basicamente necessitando esperar o momento correto para serem atacados.

Komodo Bros.

– Tiny Tiger: É um típico Tigre-da-Tasmânia que, aparentemente, recebeu muito anabolizante durante as alterações genéticas que possui. É o clássico personagem fortão e pouco intelectualizado. Possui a função de substituir o chefe Koala Kong do primeiro jogo. Sua luta cresce um pouco em dificuldade, mas ainda nada preocupante, bastando ter uma atenção constante nas plataformas que caem.

Tiny Tiger.

– Dr. N Gin: O novo assistente de Neo Cortex, aparentemente, ficou com ciúmes pelo fato de Crash estar sendo tão bem sucedido ao ajudar seu chefe. Acredita-se que Nitrus Brio o convenceu de que a totalidade dos diamantes simplesmente não era mais necessária e resolveu acabar com o protagonista. Sua luta, apesar de mais longa do que o padrão, continua sendo fácil, bastando que o jogador preste bastante atenção aos ataques de N. Gin.

Dr. N Gin.

Curiosidade 4: O personagem Tiny Tiger, dito acima, é baseado no extinto Tigre-da-Tasmânia (também chamado de Lobo-da-Tasmânia), animal este, oficialmente, extinto desde 1936. Quando vivo era considerado o maior marsupial carnívoro dos tempos modernos.

Sua origem remonta a 4 milhões de anos atrás, porém, sua espécie acabou restrita a ilha da tasmânia em seus últimos séculos de existência. São diversas as teorias para sua extinção, mas a mais recorrente está ligada a caça predatória de fazendeiros da região que os matavam para protegerem seus rebanhos, recebendo, inclusive, recompensas do governo local para cada exemplar falecido.

Alguns fatos curiosos são: 1) A proteção oficial de sua espécie só veio do governo tasmaniano em 10 de julho de 1936, 59 dias antes do falecimento do último vivo, que estava em cativeiro; 2) Como uma lenda local, pessoas afirmam ver Tigres-da-Tasmânia na região, porém nenhum registro desses foi considerado oficial (inclusive, por um período, ocorreu uma recompensa de 100 mil dólares para quem comprovasse sua existência); 3) O Tigre-da-Tasmânia, atualmente, está presente no brasão oficial do governo da Tasmânia; 4) Alguns cientistas estudam a possibilidade de trazer sua espécie novamente ao nosso mundo, algum dia, através da clonagem. Muito legal esta homenagem da Naughty Dog para com este lindo animal que já conviveu entre nós.

Abaixo segue uma compilação de vídeos da década de 30 do Tigre-da-Tasmânia.

Análise Técnica

Em seu gameplay esta sequência teve significativas inovações: como a possibilidade de salvar o jogo direto da Warp Room (não havendo mais a possibilidade dos passwords de sua estreia), busca por cristais (semelhante às estrelas) e poder escolher a ordem das fases, todas sendo heranças de Super Mario 64.

Agora há a possibilidade de ser jogado com o direcional analógico. Crash também pode andar agachado e pular mais alto quando abaixado. Para seus ataques foram acrescentados a rasteira e a barrigada. Há itens inéditos como a caixa de nitro e os speed boosts.

Porém, sem dúvidas, os maiores destaques foram as inéditas formas de jogabilidade: como escalar grades, andar abaixo do barro, o gelo escorregadio, e, principalmente, a presença do surfe e do jetpack.

As caixas de nitro (que explodem instantaneamente) estão entre as novidades de Crash 2.

A jogabilidade, assim como no primeiro título, responde bem aos comandos e não vem a ser um problema para os iniciantes no gênero. Vale destacar que os elementos de jogabilidade variada citados acima foram feitos com esmero e merecem a notoriedade que tiveram.

Obs: Algumas pessoas reclamaram de problemas de atraso nos controles em seu recente remake, porém ainda não o joguei até o fechamento deste artigo, portanto não poderei opinar quanto a isto.

O jetpack poderia ter sido melhor aproveitado durante a campanha.

Os gráficos desta sequência seguem o padrão de qualidade de seu antecessor, sendo, facilmente um dos títulos poligonais mais bonitos da plataforma. Quanto aos detalhes, muitos foram acrescentados, como expressões inéditas de Crash olhando para trás nas fases de corrida, entre outros. Não gosto de utilizar a expressão “envelheceu mal”, mas Crash 2 é um dos principais exemplos em que isto não ocorre.

Comparação gráfica entre Crash 2, original de PlayStation 1, e do remake, de PlayStation 4.

A dificuldade, apesar de ser o mais difícil da trilogia clássica (em minha opinião), continua sendo fácil (principalmente os chefes), bastando que o jogador aprenda os, simples, padrões dos inimigos e os designs das fases. Não haverá grandes dificuldades para um jogador experiente em títulos do gênero plataforma.

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O fator replay presente no jogo é baixo, havendo a possibilidade de fazer seus 100% caso o jogador tenha interesse. Ainda assim, o título é divertido, o suficiente, para fazer o jogador querer jogá-lo novamente um dia.

Sai o javali, entra o ursinho polar.

A diversão é grande. Com personagens carismáticos, dificuldade balanceada e level design intuitivo, na maior parte de sua aventura. Não há muito o que dizer negativamente quanto a este ponto. Apenas alguns jogadores, que conheceram sua sequência antes deste, podem acreditar que a aventura poderia ser ainda mais variada.

Corre que lá vem a mamãe urso.

A trilha sonora foi composta por Mark Motherbaugh e Josh Mancell do estúdio Mutato Musica e segue o padrão de qualidade e identidade do primeiro jogo. Vale destacar que ela está significativamente maior e mais variada. Quantos aos efeitos sonoros, seguem o padrão de qualidade do primeiro título e não há o que reclamar.

Abaixo segue a trilha sonora completa de Crash Bandicoot 2.

Curiosidade 5: No ano de 1998 chegou ao mercado o terceiro título da trilogia clássica de Crash Bandicoot, com codinome Warped. Para muitos, este foi o melhor título de franquia devido às diversas formas de gameplay que a aventura possui. Só esperar mais um pouco que provavelmente ele receberá um artigo só para ele aqui na Gamer Point.

Conclusão

Crash Bandicoot 2, apesar de ter um lançamento próximo de seu antecessor, não adquiriu a imagem de caça-níquel, de algo que buscava, apenas, obter lucro sobre uma fórmula que havia dado certo. Temos inovações importantes que fazem a aventura ser original, o suficiente, para ser lembrada por si só. Caso ainda não tenha jogado, recomendamos que dê esta chance, formas de ser aproveitado nos dias de hoje são muitas.

Jogado no PlayStation 1