Em pleno período de grande sucesso de COD Modern Warfare e COD Warzone, a Activision mantém seu plano de lançamento anual da franquia Call of Duty e anuncia Black Ops: Cold War, desenvolvido em parceria pela Treyarch e a Raven Software.

Black Ops Cold War é um “sucessor  espiritual” para o primeiro Black Ops, lançado em 2010, e conta com os clássicos modos da série (Campanha, Multijogador e Zombies) além de ter como novidade esse ano a integração com o Battle Royale Warzone. Mas afinal, como se sai o décimo sétimo jogo da franquia Call of Duty? Veremos a seguir!

Quesitos Técnicos

Tecnicamente falando, é inevitável que comparemos Cold War com seu antecessor, Modern Warfare. Considerando que MW foi uma revolução grande e muito necessária na franquia Call of Duty, era de se esperar que a partir daí a franquia seguisse uma nova tendência de evolução, mas não é necessário jogar muito o novo jogo para perceber que, infelizmente, não é o caso.

Black Ops Cold War é um claro retrocesso comparado ao que a Infinity Ward fez com Modern Warfare nos quesitos técnicos. Gráficos inferiores, animações inferiores, qualidade de áudio inferior… é difícil encontrar algum aspecto em que Cold War apresente evolução.

O áudio e o gráfico não são ruins (são até bem aceitáveis) mas são menos realistas. Se, por exemplo, você jogou Black Ops 4 e pulou para o Black Ops Cold War, irá ver sim uma evolução no quesito realismo. Agora quanto às animações (movimentação dos personagens, carregamento das armas, uso de explosivos e etc) são realmente bem abaixo do esperado, mesmo se comparado com COD’s mais antigos.

Qualidade das animações em Cold War deixam a desejar. (Foto: Gamer Point)

Call of Duty foi desenvolvido no mesmo motor gráfico (engine) por longos anos até 2018. O ano de virada foi 2019, quando a Infinity Ward usou uma nova engine e revolucionou a qualidade técnica com Modern Warfare (e Warzone, que também usa esse motor novo).

Não se sabe exatamente o porquê, mas Cold War não dá continuidade ao uso da nova engine, e esse é muito provavelmente o motivo pelo qual o jogo de 2020 não supera (na verdade, nem se iguala) o jogo de um ano antes.

Black Ops: Cold War – A Campanha

A campanha de Black Ops Cold War se passa nos anos de auge da Guerra Fria, período de disputa intensa entre Estados Unidos e a União Soviética que não chegou a fase de confrontos diretos (por isso leva o nome de guerra fria), e a maioria das missões da campanha acontecem na década de 80.

O jogo mistura acontecimentos reais e fictícios da guerra, criando sua própria versão de como as coisas aconteceram nas entrelinhas desse histórico confronto.

No jogo, assumimos o lado norte-americano (para variar…) e acompanhamos o empenho de uma equipe da CIA (Agencia Central de Inteligência americana) na busca de um agente soviético conhecido como Perseus, cujo objetivo é fazer que o mundo veja os norte-americanos como grandes inimigos.

Campanha de Cold War nos coloca do lado da CIA no auge da Guerra Fria. (Foto: Gamer Point)

Infelizmente, o jogo apresenta alguns incômodos erros na campanha (tanto em gameplay quanto em cutscenes) como bugs de textura e quedas de FPS, mas não são frequentes ao ponto de atrapalhar a experiência.

Quanto ao enredo, temos um jogo interessante, mas nada muito além disso. Os novos personagens apresentados são pouco carismáticos e têm desenvolvimentos bem superficiais, deixando praticamente todo o contexto da história deles para diálogos opcionais ou arquivos de texto dentro do jogo. A parte que realmente prende a atenção do jogador é o final, que apresenta boas surpresas. A campanha também nos dá, diversas vezes, a escolha do que iremos falar ou fazer, e essas escolhas impactam no curso da história.

Campanha de Cold War dá liberdade de falas e ações para os jogadores. (Foto: Gamer Point)

A gameplay segue bem o clássico padrão de campanha que vemos nos jogos da franquia há anos, sem grandes inovações. Cenas cinematográficas bem mentirosas com os personagens escapando de situações praticamente impossíveis também continuam presentes, e isso não é necessariamente um ponto negativo, mas sim uma característica que acompanha já acompanha a franquia há tempos. Também não há grandes dificuldades para completar as missões, mesmo jogando na dificuldade Veterano.

Os destaques positivos na campanha são a trilha sonora, que é de alta qualidade e ajuda a deixar as cenas mais memoráveis e carismáticas, e a ambientação das missões, que são bem variadas e com ótimos cenários visuais.

Black Ops: Cold War – O multiplayer

O maior atrativo de Call of Duty é, sem dúvidas, seus modos multijogadores. Os modos tradicionais de multiplayer, no entanto, perderam considerável força com a chegada do Warzone, Battle-Royale integrado à franquia Call of Duty.

O multiplayer de Cold War, assim como foi citado nos quesitos técnicos, se comparado a Modern Warfare não é tecnicamente impressionante em nenhum aspecto, porém ainda assim consegue se mostrar mais divertido que seu antecessor.

Black Ops Cold War apresenta 8 mapas no multiplayer, com alguns tendo mais de uma utilização (o mesmo mapa é usado em escala menor para os modos 6×6 e em escala maior para os modos com mais jogadores). Apesar do baixo número, esses poucos mapas se mostram melhores do que os de MW.

Lista de mapas multijogador de Black Ops Cold War é bem curta. (Foto: Gamer Point)

A grande novidade é o modo de Armas Combinadas, que contém mapas em larga escala, presença de veículos e maior quantidade de jogadores (16 a 24 jogadores), mas que infelizmente só possui 3 mapas. Os modo clássicos como mata mata em equipe, contra todos, dominação, baixa confirmada e etc também continuam presentes, é claro.

Também temos a presença de um novo modo chamado Bomba Suja, que divide 40 jogadores em equipes de 4 com o objetivo de coletar urânio e explodir bombas pelo mapa, mas que no geral não impressiona. Esse modo possui apenas 2 mapas, disponíveis exclusivamente para o modo.

O jogo também não possui uma grande quantidade de armas, contando com 5 fuzis de assalto, 5 submetralhadoras, 4 fuzis táticos, 3 metralhadoras leves e 3 fuzis de precisão. As camuflagens de arma são bem simples, e em alguns casos acabam deixando as armas com um aspecto “de plástico”.

Camuflagens do modo multijogador deixam as armas com um aspecto plástico. (Foto: Gamer Point)

O novo sistema de Scorestreaks deixou mais fácil a obtenção de séries de pontuação mais altas, o que é bom por possibilitar que mesmo jogadores com menos habilidade consigam pegar uma boa recompensa, mas ruim por causar um número bem mais alto de scorestreaks muito fortes nas partidas, muitas vezes estragando a experiência.

Uma adição muito interessante aos consoles é que agora podemos escolher o quão profundo é o nosso campo de visão, opção que já estava disponível no PC há anos porém entrou agora nos consoles e pode ser crucial para o melhor desempenho dos jogadores.

Em visão geral ainda é um modo bem divertido de se jogar, mesmo que não tenha tanto conteúdo e não seja mais viciante como era em épocas anteriores da franquia.

É bom lembrar que o jogo seguirá o método de adição de conteúdo que vimos em Modern Warfare, então conforme as novas temporadas forem chegando é esperado que o conteúdo multiplayer vá aumentando.

Black Ops: Cold War – O modo Zombies

Um dos grandes diferenciais dos Call of Duty’s da Treyarch é o modo Zombies, presente em seus jogos desde COD: World at War (2008). Apesar de já ter dado as caras em jogos de outras desenvolvedoras, o modo Zombies está muito mais atrelado a Treyarch do que qualquer outra.

No novo Black Ops não é diferente, e os zumbis estão de volta. O modo conta atualmente com só um mapa chamado “Die Maschine” (“A máquina”, em alemão) localizado numa base nazista abandonada na Polônia, e veio com diversas novidades.

O Zombies, agora, tem uma identidade bem mais genérica do que antes. O HUD do modo não muda muito se comparado ao do multiplayer, possuindo inclusive um mini mapa no canto superior esquerdo que mostra a todo momento onde estão os zumbis. Muito diferente do que se via nos antigos jogos da franquia, onde o Modo Zombies possuía uma identidade própria e distinta dos outros modos.

Modo Zombies agora tem visual muito semelhante ao modo multiplayer. (Foto: Gamer Point)

 

Temos agora a possibilidade de iniciar a partida com qualquer arma que quisermos, inclusive as que upamos no multiplayer (o sistema de progressão está unificado em todos os modos: Warzone, Multiplayer e Zombies).

Outra novidade é a presença de caixas de munição em diferentes lugares no mapa e uma mesa de artesanato, que nos permite construir itens (como granadas) durante as partidas.

Também temos agora um fim para as partidas de zombies: a extração. Em rounds específicos, é possível chamar um helicóptero para retirar os jogadores da partida e encerrá-la sem precisar simplesmente se matar, como antigamente. Completar uma extração concede bônus aos jogadores.

Dentro do mapa, além dos perks clássicos (Juggernog, Quick Revive, Speed Cola e etc) temos a adição do novo Elemental Pop, que dá uma chance de ativarmos uma modificação de munição aleatória (munição de gelo, fogo, eletricidade e etc).

Clássicos perks estão presentes no Modo Zombies de Cold War. (Foto: Gamer Point)

Para PS4 e PS5, Cold War apresenta um modo exclusivo (temporariamente) de Zombies, chamado Chacina. Nesse modo, basicamente temos ondas de zumbis em mapas do multiplayer, com a possibilidade jogo de até 2 jogadores. Uma bola de energia fica mudando de lugar pelo mapa, deixando uma área circular na qual os jogadores ficam para matar os zumbis. Um modo bem simples que enjoa rapidamente e que passará despercebido pela maioria dos jogadores.

Consideração Final

Black Ops Cold War é um bom jogo, mas precisava de mais tempo para ser desenvolvido. Não apresenta grandes novidades e chega em um momento onde o Warzone e o Modern Warfare ainda estão em alta. Os modos multijogador e zombies são bons, mas ainda possuem pouco conteúdo. Talvez com atualizações futuras e adição de conteúdos gratuitos a esses modos, Cold War se torne uma experiência mais atraente.