Neste mês de setembro de 2020 tivemos o aniversário de 25 anos de um carismático personagem da história dos games. Apesar de seus pais (Ubisoft) terem, aparentemente, esquecido desta data comemorativa, nós da Gamer Point lembramos e, por esta razão, resolvemos fazer este artigo em homenagem ao querido mascote que nos traz diversão desde os anos 90.

Mapa com cara de Donkey Kong Country.

Rayman é um jogo do gênero plataforma desenvolvido e publicado pela Ubisoft. Lançado, originalmente, em setembro de 1995, teve versões para PlayStation, MSDOS, Saturn e Atari Jaguar em seu tempo, assim como uma para Gameboy Advance posteriormente.

O interessante é que estas versões possuem sensíveis diferenças entre si a ponto de serem recomendadas, individualmente, para os fãs da franquia.

Capa memorável.

Curiosidade 1: Nos anos 90 o gênero plataforma estava em alta e quando algo do estilo era lançado, com qualidade, seu sucesso era quase certo. Assim foi com Rayman, que ultrapassou a marca de 4 milhões de unidades vendidas quando somadas todas as suas versões.

Números realmente incríveis, não somente por ser uma série estreante, como também por chegar ao mercado em um momento em que os consoles da quinta geração ainda não haviam se firmado. Vale aqui, também, destacar que esta primeira aventura de nosso personagem sem membros foi o mais vendido de sua franquia até os dias de hoje.

Bastidores

Michel Ancel

Apesar de Rayman, algumas vezes, ser julgado como um personagem que foi criado para bater de frente com Mario e Sonic, na verdade sua origem é muito anterior ao jogo. O diretor e criador do game, Michel Ancel, já tinha o formato de seu querido personagem desenhado em seus cadernos enquanto ainda estava aprendendo a desenhar e, segundo ele: “Eu era apenas uma criança que não tinha nenhuma ideia que algum dia meu personagem estaria em uma prateleira ao lado de Mario e Sonic”. O talento de Ancel foi reconhecido precocemente e a Ubisoft o contratou, como artista gráfico, quando tinha apenas 17 anos de idade. Seus primeiros títulos foram The Intruder e Pick’n Pile.

O projeto que originou Rayman começou de forma independente, junto do amigo Frederic Houde. A plataforma escolhida, inicialmente foi o Super Nintendo CD, um acessório para o console de quarta geração da Nintendo que acabou sendo cancelado.

Após isto, as plataformas mais viáveis da época eram o Atari Jaguar e o 3DO, já que tinham decidido que o título iria receber melhorias gráficas que ficariam limitadas nas plataformas de maior sucesso daquele momento, Super Nintendo e Mega Drive.

A escolha acabou sendo o Jaguar, isto porque os desenvolvedores viam a Atari como uma empresa estabelecida no ramo dos games (pois é), assim como testes com o 3DO haviam mostrado que Rayman não rodaria nos desejados 60 frames por segundo.

A partir daí o título começou a criar forma e logo foi descartada a possibilidade de Rayman ter braços, já que as animações dele, assim, simplesmente ficaram inviáveis para os programadores. A previsão era que o título saísse no final de 94, momento em que enfrentaria de frente Donkey Kong Country no Snes, assim como os lançamentos japoneses do Saturn e PlayStation 1. Porém, foi adiado.

Com o adiamento para 1995 veio também outra novidade, a quebra da exclusividade do título para o Jaguar, de forma que ele agora, também iria sair para PCs, Saturn e o PlayStation 1. Segundo Mancel, as intenções era que o título, realmente, seria exclusivo do console da Atari, porém, em suas palavras: “Uma vez que a Sony apareceu com um monte de dinheiro, a Ubisoft ficou com uma decisão difícil”. Graças a isto Rayman foi um dos destaques do lançamento americano do PS1.

Quanto a Michel Ancel, vale dizer que após o sucesso alcançado, mundialmente, com a fraquia Rayman, teve seu nome novamente em destaque no ano de 2003 com o jogo Beyond Good & Evil que, apesar de não ter vendas significativas, foi altamente elogiado pela crítica especializada, aparecendo frequentemente em listas de melhores jogos de todos os tempos.

Por fim, no ano de 2006, Ancel, foi reconhecido ao lado de Frédérick Raynal (famoso pela franquia Alone in the Dark) e Shigeru Miyamoto (dispensa apresentações), como Cavaleiro das Artes e Literatura pelo governo francês. Em 2009 a IGN o condecorou como o 24º maior criador de games da história. Curiosamente, neste mês dos 25 anos de Rayman, Ancel declarou, não apenas sua saída da Ubisoft, como sua aposentadoria no mundo dos games, deixando Beyond Good & Evil 2 nas mão de outra equipe da empresa.

Curiosidade 2: Os boatos de que Rayman nasceu como um jogo de Super Nintendo se confirmaram quando a revista Pix’ N’ Love, em 2010, mostrou imagens desta versão. Porém, tudo ficou mais próximo da verdade quando, em 2016, Michel Ancel publicou em seu Instagram um vídeo do jogo.

Enfim, no ano de 2017, Ancel, disponibilizou esta ROM na internet para os interessados. Destes arquivos podemos destacar que tudo que tinham ainda era muito rústico e abaixo da qualidade final do produto, sendo que um dos maiores destaque seria a possibilidade de ser jogado em multiplayer, modo ausente em sua versão final.

Enredo

Este subtítulo terá foco apenas no prólogo do enredo de Rayman, de forma que não irá prejudicar a experiência de jogo daqueles que ainda não jogaram.

No fantástico mundo de Rayman, chamado The Valley, existe uma orbe mágica, chamada de Great Protoon, que era responsável por manter o equilíbrio na natureza. O vilão da vez, Mr. Dark, furta a orbe e os electoons, seres fantásticos que vivem em seu entorno, acabam espalhados nos mais diversos lugares.

Para piorar as coisas, por algum motivo, não muito bem explicado, outros seres prendem os electoons em jaulas, impedindo que eles encontrem a Great Protoon. Cabe agora ao nosso herói, Rayman, a função de recuperar a orbe mágica e libertar os prisioneiros para, assim, restabelecer o equilíbrio em seu mundo.

Mr. Dark é o vilão da vez.

Um fato curioso é que antes de seu lançamento, a edição 13 da revista Edge descreveu para seus leitores um enredo totalmente diferente, em que controlaríamos um garoto chamado Jimmy que entraria em um computador, local em que assumiria a identidade de Rayman, para, assim, salvar os seres daquela dimensão.

Os produtores confirmaram este esboço recentemente, porém, também informaram que desistiram dele pelo fato de naquela época estarem jogando títulos como Mystical Ninja, Disney’s Magical Quest e Ghoul’n Ghosts, percebendo que ambientes mais “naturais” seriam melhores no contexto da aventura.

Curiosidade 3:  O nome de Rayman tem uma origem interessante. As animações do personagem e dos cenários eram inovadores para a época de seu desenvolvimento e devido a isto, Michel Ancel, necessitou de um sofisticado software de ray tracing (que é uma técnica de renderização de imagens tridimensionais baseado em trajetos de raios de luz). O processo de utilização do procedimento foi tão marcante para a equipe que seu protagonista virou o homem do ray tracing, Rayman.

Mundos

Em Rayman temos 6 mundos mostrados na tela em um mapa que remete aos clássicos Donkey Kong Country e Super Mario Bros. 3, aqui iremos abordar os 3 primeiros para, assim, evitar maiores spoilers.

1º THE DREAM FOREST: O primeiro mundo é uma floresta típica de primeiras fases, com músicas alegres e contagiantes. Talvez seja o único momento em que a dificuldade seja balanceada, cabendo ao jogador prestar atenção nos cenários e tomar um cuidado extra com a água. Destaque para o momento em que voamos junto de um mosquito gigante em uma etapa autoscroller. Chefe: Mosquito.

Mudanças no gameplay, como este “passeio no Mosquito”, ajudam aumentar a complexidade do jogo.

2º BAND LAND: O mundo da música já mostra por que Rayman não foi terminado por muitos jogadores. Aqui saltos precisos e jaulas bem escondidas estão presentes, o que já demonstra a característica de exploração presente na aventura. A trilha incrível, por outro lado, incentiva a continuar. Chefe: Mr. Sax.

Há um salto de dificuldade no segundo mundo, mas fique tranquilo que ainda piora.

3º BLUE MONTAINS: Típica fase sombria repleta de perigos, como espinhos, abismos e nuvens que exigem raciocínios rápidos. Destaque para os momentos em que podemos usar a habilidade do “helicóptero capilar” por tempo ilimitado. Apesar de difícil em sua maior parte, acredite, é um refresco perto do mundo seguinte: Picture City. Chefe: Mr. Stone.

Cavernas precisam ser exploradas com cuidado em busca das jaulas.

Curiosidade 4: Aparentemente não foi apenas a Gamer Point que lembrou do aniversário de Rayman, sendo que um grupo de fãs disponibilizou para o público, neste ano de 2020, um remake do primeiro jogo da franquia que levou três anos para ser concluído.

A quantidade de conteúdo extra é enorme: como novos inimigos, fases, mundos, itens e habilidades. Está realmente lindo e trata-se um de um jogo obrigatório para aqueles que são fãs da aventura original.

Análise Técnica

O gameplay de Rayman é típico dentro do estilo plataforma, com destaque para a busca obrigatória das gaiolas e o fato do protagonista estar em constante evolução durante toda a aventura, adquirindo novas habilidades. Inicialmente apenas caminhamos e pulamos, mas em pouco tempo podemos atacar os inimigos com socos, nos pendurar, planar e outros.

Os gráficos do jogo são simplesmente lindos, não apenas pelos personagens, mas, principalmente, pelos cenários ricos em detalhes que vão desde florestas até mundos fantasiosos típicos de jogos do gênero, com temática de artes e de doces.

A primeira fase já demonstra o capricho nos mínimos detalhes.

A dificuldade do título é bastante elevada, principalmente quando comparamos com jogos de seu gênero lançados recentemente. Um de seus maiores destaques está na obrigatoriedade de encontrarmos todas as jaulas para poder termos acesso ao último mundo, assim como a necessidade de voltar em fases anteriores, pois alguns locais apenas são acessíveis com habilidades adquiridas futuramente.

Isto faz com que o game obrigue o jogador a fazer seus 100%, o que fiz antes de escrever esta matéria e afirmo ser um tanto desafiante, até porque o jogo não facilita o processo de aquisição de vidas de forma alguma em toda aventura.

A jogabilidade de Rayman é boa, não havendo maiores reclamações quanto sua “câmera” e controle do personagem. Alguns detalhes, como sua ausência de braços nos fazem ter dúvidas, inicialmente, se o protagonista será capaz de agarrar-se em alguns locais, porém, após nos acostumarmos, tudo fica mais tranquilo.

A fada Betilla é quem nos concede as novas habilidades durante a aventura.

O fator replay do jogo chega a ser difícil de ser discutido, pois o título nos obriga a revisitá-lo outras vezes, em busca das jaulas, para que possamos terminá-lo. Assim sendo, provavelmente a principal razão para jogá-lo outras vezes está no fato conhecermos as versões para outros consoles, como a de Jaguar que possui algumas gaiolas em posições diferentes e um minigame exclusivo baseado no clássico Breakout da Atari.

A diversão é grande, mas também está ligada às várias frustrações presentes em toda a campanha. Não apenas pela necessidade de retornar nos níveis já vencidos, na escassez de vidas extras oferecidas ou nos saltos extremamente precisos, mas também em decisões um tanto questionáveis em seu level design, como a presença de jaulas ausentes até encostarmos em determinado ponto do cenários, ou então nas diversas armadilhas durante a campanha, como inimigos que aparecem, literalmente, do nada em nossa frente causando nossa morte, o que nos obriga a decorar padrões, não apenas dos obstáculos, como das próprias fases.

Detalhes como estes podem afugentar os jogadores mais casuais e caso fosse diferente, certamente, este jogo ainda possuiria um número ainda maior de fãs.

Saltos precisos fazem parte da aventura.

A trilha sonora de Rayman é simplesmente incrível e foram assinadas por Stéphane Bellanger e Pete Antony. Suas faixas são numerosas e combinam perfeitamente com as ambientações em que estão presentes.

Infelizmente o jogo, em determinados momentos, tem a decisão de “desligá-las” para das destaque ao som ambiente. Não que isto seja ruim, mas as músicas são tão boas que não vejo necessidade para este recurso. Os efeitos sonoros, diferentes nas diversas versões, também ficaram muito boas, merecendo parabéns. Abaixo segue a trilha sonora completa do jogo.

Curiosidade 5: No ano de 1999 finalmente chegou ao mercado sua sequência, chamada de Rayman 2: The Great Escape, para as plataformas PC e Nintendo 64, sendo relançado posteriormente para PlayStation 1, Dreamcast, Playstation 2, Gameboy Color, Nintendo DS e Nintendo 3DS. Assim como já era esperado, o jogo bebeu da revolução causada pelo sucesso de Super Mario 64 e abraçou o universo dos polígonos em 3D. O título acabou sendo um sucesso entre o público e a crítica e, talvez, ainda receba um artigo aqui na Gamer Point.

Conclusão

Rayman foi um dos bons jogos de plataforma do início da quinta geração e que conseguiu nos trazer o equilíbrio de tecnologia e qualidade dentro de seu gênero antes do, quase, domínio completo dos games em polígonos 3D que vieram logo após. Sua presença foi um marco para esta empresa, Ubisoft, que, antes dele, era conhecida apenas como uma distribuidora de jogos na França e hoje é uma das maiores sofware houses presentes no mercado.

Interessante é que a própria Ubisoft percebeu seu valor e em um passado pouco distante nos apresentou sua volta às origens 2D. Quanto a este clássico, caso seja capaz de vencê-lo sem maiores ajudas, pode ter certeza que está preparado para praticamente todos jogos de seu gênero.


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