Little Nightmares é um título de sucesso que reflete bem o cenário do atual mercado dos videogames. Estou começando com esta afirmação pois claramente vemos que o destaque gerado pelo criativo mercado indie, certamente, está influenciando as decisões das grandes empresas. Assim se deu sobre este grande jogo que em breve terá uma continuação.

Cenários pouco iluminados fazem parte da ambientação.

Little Nightmares é um jogo que mistura elementos de plataforma com quebra-cabeças, desenvolvido pela Tarsier Studios e publicado pela Bandai Namco Entertainment.

Lançado inicialmente, em abril de 2017, para PlayStation 4, Xbox One e Microsoft Windows, recebendo, posteriormente, versões para Nintendo Switch e Stadia. A seguir vemos um trailer de apresentação de Little Nightmares.

Obs: Recomendamos que o artigo de Limbo, já publicado aqui na Gamer Point, seja lido antes deste para sua melhor compreensão.

Curiosidade 1: O sucesso de Little Nightmares foi enorme perante o público, de forma que em junho de 2020 a Bandai Namco veio a público informar que o título havia superado a marca de dois milhões de unidades vendidas. Números incríveis, principalmente para uma franquia estreante.

Bastidores

O designer Dave Mervik

Quando a equipe de Little Nightmares se reuniu para discutir sobre como seria o jogo, algumas decisões foram tomadas, como o de que a ambientação seria através dos olhos de uma criança, desenvolvendo e lidando com seus medos e fragilidades. Após isso decidiu-se que sua jogabilidade, apesar de estar ligado ao estilo plataforma, teria, também, grande foco na furtividade, mesmo que os próprios desenvolvedores não gostassem desta descrição, preferindo chamá-la de “hide and seek” (esconde-esconde).

A furtividade é um grande elemento em toda a campanha, ou esconde-esconde, como os produtores preferem.

Um detalhe interessante é que quando o jogo foi anunciado ao público, inicialmente, em maio de 2014, não havia nenhuma conexão com a possibilidade do título sair para o console da Sony, sendo até aquele momento exclusivo das plataformas Windows e Xbox One. Isto se deu até agosto de 2016, quando a Bandai Namco veio a público informar que Little Nightmares também sairia para PlayStation 4.

Curiosidade 2: Durante todo o desenvolvimento do jogo seu nome era Hunger (significa fome em português), aqueles que conhecem seu gameplay entendem a razão do título. Assim foi até o anúncio de agosto de 2016, quando passou a ser chamado de Little Nightmares.

A razão da mudança se deu para que não tivessem pessoas confundindo com a franquia de sucesso The Hunger Games (conhecida no Brasil como Jogos Vorazes).

Enredo e Narrativa

Little Nightmares é um daqueles jogos que não nos leva pela mão descrevendo os acontecimentos e tramas por trás de sua problemática. Aqui temos uma aventura propositalmente aberta a interpretações por parte dos jogadores.

Para não exagerar nos spoilers e não influenciar na forma como o jogador vê as situações irei descrever apenas os fatos apresentados no início da aventura.

A subjetividade da interpretação é proposital.

Controlamos uma personagem feminina humana, apesar de não parecer, de cerca de trinta centímetros, com capa amarela, de nome Six e que possui um isqueiro como única ferramenta disponível para superar os desafios propostos pelo jogo.

Após acordar de um pesadelo, ela se vê em um navio cargueiro de nome Maw (que pode ser traduzido como bocarra/mandíbula), provavelmente do início do século XX.

Logo no começo percebemos que o navio, originalmente, foi projetado para tripulantes muito maiores que a nossa protagonista e, que, somos frágeis perante o ambiente em que vivemos. Ainda assim, há seres ainda menores chamados Nomes.

Encontrar os Nomes acaba sendo um incentivo ao fator replay do jogo.

Em pouco tempo percebemos que tantos os Nomes, como nós mesmos, aparentemente somos vistos como uma praga pelos seres maiores, como se fôssemos ratos a serem eliminados.

Há diversos elementos que nos atrapalham durante a aventura, como sanguessugas, uma luz oriunda e um olho e os perseguidores, sendo estes o principal elemento no gameplay de Little Nightmares.

Logo nos encontramos com o primeiro deles, um zelador de braços longos e cego (um clichê já dos survival horrors por sinal) que apesar de ser um tanto infantil, aparentemente tem como função de eliminar ameaças, como a nossa presença. Podemos dizer que este é o prólogo deste grande jogo.

O zelador cego em poucos minutos de jogo já nos mostra que não estamos em jogo de plataforma convencional.

A narrativa de Little Nightmares é baseada principalmente em nossa percepção e interpretação do que vemos nos diversos cenários do jogo. Assim como em Limbo existe a possibilidade de interpretação de quase tudo, aqui há outras claras referências a este jogo, como o choque de percebermos que, apesar de ser um jogo de plataforma, não se tratar de um game feito para o público infantil (um adulto enforcado, com sinais de suicídio, logo nas primeiras “telas” da aventura demonstra bem isso).

Assim sendo, não jogue apenas visando solucionar os quebra-cabeças, como também tentar descobrir o que se passa dentro do assustador navio Maw.

A atmosfera do jogo não está para brincadeira.

Curiosidade 3: A crítica foi bastante positiva quando avaliou Little Nightmares, sendo que recebeu, também, reconhecimento nesta área. De acordo com o Metacritic (site que busca fazer uma média de várias fontes avaliadoras), o título possui notas que variam entre 7.8/10 e 8.3/10, dependendo a plataforma.

Análise Técnica

Graficamente Little Nightmares é lindo, apesar de simples. Ainda assim corresponde às expectativas daqueles donos de consoles da oitava geração dos games. Muitas partes dos cenários são ricamente detalhados e a direção de arte, envolvendo os objetos e perseguidores que encontramos, completa um produto de qualidade neste quesito.

Os detalhes dos cenários merecem elogios e a atenção dos jogadores.

Ao tratarmos da jogabilidade e do gameplay de Little Nightmares inicialmente pediria para o leitor imaginar como seria Limbo ou Inside com um maior valor de produção, isto já ajudaria a compreender o que espera aqueles que ainda não o jogaram.

Nós controlamos um personagem bastante frágil capaz de pequenos movimentos, como agarrar, pendurar-se, fugir de perseguidores diversos (que variam de acordo com o momento da campanha) e solucionar uma sequência de quebra-cabeças, presentes do começo ao fim da aventura.

Vale destacar que apesar da câmera lateral, Little Nightmares trata-se de um jogo em três dimensões, diferente de suas claras fontes de inspiração.

As vezes os momentos de fuga se tornam bastante frenéticas.

 

Como de costume nos jogos da atualidade sua dificuldade é baixa, com checkpoints próximos e “puzzles” que exigem apenas o mínimo de atenção por parte do jogador para que sejam superados. Basta paciência e vontade de seguir para que o jogador consiga chegar até seu final.

Quebra-cabeças de fáceis resoluções estão presentes em boa quantidade.

O tempo de campanha de Little Nightmare é baixo, sendo que o jogador provavelmente levará umas seis horas para terminar a aventura na primeira vez que for jogá-lo. Apesar de parecer pouco, acredito que este é o tempo ideal para jogos de plataforma, principalmente como este que possui uma atmosfera pesada, contrariando a maior parte dos títulos do seu gênero.

O fator replay de Little Nightmares é bastante limitado, fazendo praticamente com que o jogador vá em busca dos colecionáveis escondidos pelos cenários. Ainda assim, caso o jogador tenha interesse em continuar a aventura de alguma forma há DLCs para o título, porém não irei falar delas nesta matéria.

Caso seja pego, fique tranquilo. Os checkpoints são generosos.

A diversão, certamente, é um dos destaques de Little Nightmares. Querer saber o que virá nos momentos seguintes da campanha, como próximos inimigos ou cenários, nos fazem ter vontade de continuar, assim como tentar entender o que está acontecendo com o protagonista, mesmo já sabendo de seu enredo pessoal e interpretativo.

Tudo nele, artisticamente, é bem feito e nos motiva a seguir em frente, até mesmo se dispondo a fazer outras partidas em um futuro não muito distante.

A vontade de querer conhecer os detalhes pode ajudar no fator replay.

Trilha sonora de Little Nightmares foi composta por Tobias Lilja e, assim como de costume em games deste estilo, são bastante ambientais, de forma que inúmeras vezes remetem a lembranças da infância, como sons ligados a caixinhas de música ou coisas deste tipo.

Seu trabalho é digno de parabéns, apesar de que, provavelmente, poucas pessoas iriam escutá-lo fora de uma partida de jogo. Os efeitos sonoros são bons, não havendo quaisquer reclamações quanto a isto para ser dito. Abaixo segue a trilha completa.

Curiosidades 4: Depois do sucesso, principalmente comercial, de Little Nightmares, não era nenhuma grande surpresa que a franquia iria receber uma sequência. Após alguns atrasos em seu desenvolvimento, devido à pandemia de Covid, o jogo será lançado em fevereiro de 2021, inicialmente para PlayStation 4, Xbox One , Switch e Microsoft Windows, recebendo versões para as plataformas da nova geração em um futuro próximo.

Há pouco que sabemos até o momento, como a presença de um novo protagonista e que sua ambientação macabra, marca do primeiro título, seguirá presente, inclusive com referências diretas a filmes de terror clássicos, como Poltergeist (o que achei ótimo, por sinal).

Agora é só esperar mais um pouco para desfrutar este jogo que tem tudo para repetir o sucesso da aventura anterior. Abaixo segue o trailer de Little Nightmares 2.

Conclusão

Assim como dito na introdução desta matéria, Little Nightmares é o fruto da consequência gerada pelo sucesso descompromissado do mercado indie. Estes jogos, por ter baixo custo de produção, em regra, possuem maior liberdade criativa quando arriscam algo novo, como a curiosa mistura de terror com plataforma proposta por Limbo, aceita amplamente pelo público e crítica.

Assim, empresas maiores como a Bandai Namco passaram a ter coragem de se aventurar em novas propostas sem o medo de sofrer grandes prejuízos. Enfim, Little Nightmares é completo e de grande qualidade por si só e esperamos que a indústria continue de olho em inovações que nos façam querer jogar títulos cada vez mais originais.