Ucharted: Drake’s Fortune foi um divisor de águas para o sucesso de PlayStation 3. No ano de 2007, a plataforma de mesa da Sony, durante a sétima geração, apresentava problemas para se firmar na competitiva guerra de consoles que se apresentava.

Fatores como seu preço elevado, entrada de seu principal concorrente no mercado, Xbox 360, com uma boa margem de tempo, e o surpreendente sucesso que o Wii, da Nintendo, estava mostrando após as vendas, apenas, razoáveis de seu antecessor, GameCube, fizeram com que a Sony imaginasse poder perder sua liderança.

Neste contexto surgiu Uncharted, uma nova franquia exclusiva que, finalmente, seria capaz de mostrar que valia a pena investir na marca PlayStation, principalmente pela garantia dos títulos que, em breve, iriam ser lançados apenas em sua plataforma.

Só de ver esta imagem já escutamos a incrível música dentro de nossas cabeças.

Uncharted: Drake’s Fortune é um jogo do gênero Ação TPS (tiro em terceira pessoa). Lançado originalmente, em 2007, para PlayStation 3. Sendo desenvolvido pela Naughty Dog e publicado pela Sony Computer Entertainment. No ano de 2015 foi remasterizado e integrou a coletânea Natan Drake Collection para o PlayStation 4.

Obs: Devido ao fato de eu ter finalizado ambas versões, aqui iremos abordá-las em conjunto, valendo lembrar que são poucas suas diferenças, assim como as imagens irão corresponder a ambas versões. Abaixo segue o trailer de do jogo.

Curiosidade 1: Desde sua estreia, a franquia Uncharted demonstrou ser um sucesso não apenas por parte da crítica especializada, mas também pelo seu público, representado em suas vendas.

Drake’s Fortune conseguiu ultrapassar a marca de 5 milhões unidades vendidas, um número significativo pois, além de tratar-se de uma franquia estreante, o título havia sido lançado exclusivamente em um console há pouco inserido e que estava com dificuldade de firmar seu espaço em um mercado, surpreendentemente, concorrido.

Bastidores

Após o lançamento de Jak 3, a Naughty Dog estava disposta a arriscar suas fichas em uma franquia realista, diferente de seu atual título e da série clássica, Crash Bandicoot. Aparentemente aquele seria um bom momento para esta experiência, já que a nova plataforma de Sony (o PlayStation 3) apresentava características robustas que dariam conta do recado. Assim, uma reunião foi feita com seus melhores programadores e a partir dali o rascunho de um novo jogo, de nome provisório Big, começou a ser planejado.

Sua principal influência seria nos filmes de Indiana Jones, em que teríamos um grande foco em cenas de ação e em belos cenários que chamariam a atenção dos jogadores para a nova geração, deixando no passado os hardwares já considerados ultrapassados.

Personagens carismáticos ajudam a manter a atenção dos jogadores.

Uncharted: Drake’s Fortune foi apresentado, inicialmente ao público, na E3 de 2006 e, como esperado, não faltaram comparações ao clássico Tomb Raider, o que ocasionou o título chegar a ser apelidado de “Dude Raider”. Em resposta, os desenvolvedores da Naugthy Dog não negaram a influência da musa Lara Croft, mas também deixaram claro que outros clássicos também tiveram participação na formação de sua mais nova franquia, como Gears of War, Resident Evil 4 e, o hoje quase totalmente esquecido, Kill Switch.

Apesar disto, os criadores de Uncharted informaram que seu novo jogo teria uma grande diferença quando comparado com suas inspirações, de forma que sua ambientação seria alegre e vibrante, ao contrário dos demais jogos citados, que abusavam de um clima sombrio.

Parecia arriscado sair dos jogos arriscados para os realistas, mas a empresa conseguiu.

No desenvolvimento de criação dos personagens, a ideia era que o fotorrealismo fosse utilizado e que o protagonista apresentasse características de fácil identificação por parte dos jogadores, não demonstrando o clichê ocidental de um musculoso carregando uma arma do tamanho de seu corpo.

O objetivo era apresentar alguém que resolveria seus problemas com raciocínio e atingindo seu limite pessoal a cada conquista. Quanto ao “elenco de apoio”, Victor Sullivan e Elena Fisher foram acrescentados ao enredo, principalmente, para formar uma narrativa mais envolvente, o que, como sabemos, a Naughty Dog seria referência nos anos seguintes, principalmente com o sucesso de The Last of Us.

A clara referência ao filme de Indiana Jones. Ou seria Crash Bandicoot?

Curiosidade 2: Como já sabemos, o sucesso de Drake’s Fortune foi quase imediato e, assim, o planejamento de uma sequência começou. Desta forma, em 2009 chegou ao mercado Uncharted 2: Among Thieves, título este que não apenas consagrou a franquia, como o próprio estúdio Naughty Dog na história dos games, já que a recepção do público e da crítica foram incríveis. Em breve teremos um artigo dele aqui na Gamer Point também. Abaixo segue seu trailer.

Enredo

Este subtítulo terá foco apenas no prólogo do enredo de Uncharted Drake’s Fortune, de forma que não irá prejudicar a experiência de jogo daqueles que ainda não jogaram.

Tudo começa com o fato de nosso protagonista, Nathan Drake, ter um anel com coordenadas geográficas gravadas nele. Estes números supostamente seriam capazes de levar ao túmulo de seu antepassado, o famoso Sir. Francis Drake. Infelizmente, para nosso herói, a localização está no oceano, mais exatamente, na costa do Panamá.

Ocorre que Nathan não possui recursos financeiros para pagar por uma expedição destas dimensões e para resolver isto entra em contato com uma rede de TV que, acreditando estar ali uma grande matéria, envia a repórter Helena Fisher junto de uma embarcação.

O sistema de cover veio de sucessos, como Gears of War.

Nathan, junto de Victor ‘Sully’ Sullivan (amigo e mentor de Drake), e Helena Fisher encontram o tumulo de Sir. Francis e, assim como já imaginado por nosso protagonista, encontra-se vazio, apenas com um diário com a localização do El Dorado, um suposto lugar lendário, cobiçado pelos colonizadores espanhóis e que seria fonte de uma grande quantia de ouro.

Momentos após Natham colocar as mãos no diário, piratas panamenhos surgem e nossa aventura começa com muita ação e tiros.  No decorrer da campanha novos vilões carismáticos aparecem, como os mercenários Atoq Navarro e Gabriel Roman, para dificultarem nossa vida e contribuírem para a narrativa.

O Diário de Sir. Francis Drake ajuda na solução de quebra-cabelas.

Curiosidade 3: A figura histórica que, supostamente, seria antepassado de Nathan Drake, Sir Francis Drake, realmente existiu em nosso mundo. Em sua vida foi capitão, vice-almirante, corsário (um tipo de pirata com carteira assinada), navegador e político.

Em 1581 foi condecorado pela Rainha Isabel I da Inglaterra com o título de cavaleiro. Sua fama fez os espanhóis o temerem a ponto de chamá-lo de El Drake (“Francis the Dragon”). Entre seus diversos feitos, podemos citar alguns, como: ser o primeiro inglês a dar a volta ao mundo, assim como sua cabeça ter sido colocada a prêmio pelo rei espanhol Felipe II, sob uma recompensa de 4 milhões de libras.

Infelizmente, seu fim não foi dos mais heroicos, falecendo de disenteria (caganeira para os mais íntimos) em 1596, aos 55 anos de idade.

Sir Francis Drake.

Análise Técnica

Em Uncharted, sua narrativa gira em torno da busca por tesouros feita pelo protagonista, Nathan Drake, e seus acompanhantes, Helena Fisher e Victor Sullivan. Com um enredo simples que lembra filmes de ação dos anos 90 e um boa dose de bom humor, tipicamente americana, temos uma trama carismática capaz de prender nossa atenção até a sua conclusão.

Aqui vale destacar a presença de quebra-cabeças durante a jornada, porém, todos são fáceis, exigindo o mínimo de raciocínio por parte do jogador, já que, além das dicar presentes no diário de Sir. Francis Drake, há aquelas dadas pelos demais personagens caso venhamos a demorar para solucioná-los.

Os gráficos de Uncharted, nos tempos de lançamento do PlayStation 3, eram incríveis, apresentando detalhes bem feitos em cenários que apresentavam vida e o potencial do novo console da Sony. Sua remasterização, para PlayStation 4, deu uma boa melhora em aspectos gerais, deixando um visual com jeito de nova geração.

Quebra-cabeças acalmam a ação direta .

A dificuldade de Uncharted, como estamos acostumados nos dias de hoje, é bastante fácil. De forma que basta um pouco de atenção nos quebra-cabeças e pulos, assim como acertar uns tiros para tudo ocorrer sem preocupações. Aqui inclusive vale dizer que balas não são problemas durante a campanha. Aqueles que ainda não conhecem, preparem-se para uma experiência de bastante ação e poucas interrupções.

Uncharted possui uma jogabilidade de fácil adaptação e não há muito o que reclamar aqui. Com um sistema de cobertura e recuperação de energia (recover) inspirados diretamente no sucesso de Gears of War, podemos manter nosso personagem vivo sem maiores problemas.

O combate corpo-a-corpo, nesta estreia da franquia, é bastante primitivo quando comparamos com suas sequências, ainda assim vale a pena utilizarmos este recurso para evitar um gasto excessivo de balas em determinados momentos.

O combate corpo-a-corpo é primitivo, mas ajuda a economizar umas balas.

O gameplay de Uncharted pode ser dividido em três momentos principais: os quebra-cabeças de fáceis soluções; os momentos plataforma que lembram Assassin’s Creed, em que realizamos pulos improváveis e sem grande necessidade de precisão; e seus combates, os quais podemos carregar apenas 2 armas de fogo, uma de grande porte e outra de pequeno porte, além das granadas encontradas.

Vale destacar que a possibilidade limitada de armamentos não acaba sendo um problema, já que a necessidade de troca constante acaba fazendo mudar a jogabilidade a todo instante, um recurso semelhante ao usado recentemente no sucesso Zelda: Breath of the Wild.

A diversão em Uncharted é muito grande, com uma jogabilidade de fácil adaptação, enredo simples e envolvente, ambientação detalhada e personagens carismáticos, não fica difícil acompanhar a aventura até seu desfecho. Por fim, vale dizer que não é difícil encontra um jogador que “maratone” toda a franquia depois de jogar o primeiro.

As plataformas podem parecer difíceis, mas não são.

O tempo de campanha de Uncharted é um tanto pequeno, sendo em torno de 8 horas quando jogado pela primeira vez. Isto se o jogador explorar um pouco os cenários e morrer algumas vezes, seja nas quedas em abismos ou nos combates. Claro que se o buscar os chamados 100%, indo em busca de todos colecionáveis, isto aumentará este tempo estimado.

O fator replay de Uncharted, assim como na maioria dos jogos da Naughty Dog, é baixo, principalmente por possuírem um gameplay altamente linear e narrativa próxima dos cinemas. Ainda assim, não seria um milagre encontrar um jogador que tenha intenção em jogá-lo novamente, seja para ir atrás dos colecionáveis, ou simplesmente repetir a divertida experiência.

Momentos com veículos ajudam a mudar a experiência de jogo. Obs: presença de munições ilimitadas nestas partes mostram o interesse de manter o gameplay acima do realismo. Uma marca da Naughty Dog.

Caso tivéssemos que resumir a trilha sonora em apenas uma palavra, esta seria: Épica. Já quando ligamos o console com Uncharted inserido, escutamos seu incrível tema (Nate’s Theme), símbolo da franquia, que nos coloca imediatamente no clima de aventura que o título propõe. De cara nos dá vontade de escutá-lo até seu fim e querer saber o que o jogo nos reserva. Quanto aos efeitos sonoros, não há nenhuma reclamação.

O principal nome ligado à trilha sonora do título é o músico Greg Edmonson que, anteriormente, já havia composta para séries de televisão, como Firefly, por exemplo. Abaixo segue a trilha completa de Drake’s Fortune.

Ainda a respeito da trilha sonora de Uncharted, devemos destacar, como exemplo, o “PlayStation in Concert, realizado no Royal Albert Hall” em Londres, no dia 30 de maio de 2018. Na ocasião a performance foi realizada pela famosa Orquestra Filarmônica Real e é visível, conforme vemos a seguir, que o público empolgasse quando o tema de Uncharted é anunciado. Vale muito a pena assistir.

Curiosidade 4: O Eldorado, que os aventureiros de Uncharted buscam, também possui uma origem histórica. Todos que conhecem o básico de história sabem que os portugueses e espanhóis buscavam por metais preciosos durante nosso período colonial.

Ocorre que lendas sobre uma cidade feita de ouro se espalharam por todo continente americano, talvez como uma forma de defesa dos nativos perante as ameaças dos colonizadores (por exemplo: dizendo que se localizava em terras de tribos inimigas para que fossem ambos exterminados).

As primeiras histórias remontam de 1530, nos Andes, mas com o passar do tempo acreditaram que o El Dorado poderia ser até mesmo em Roraima. Eventos dos mais variados ocorreram durante as buscas, como ligarem o fato à cerimônia em que pessoas eram cobertas com ouro em pó;, expedições frustradas com mais de 2000 pessoas, resultando em todos mortos; e até a tentativa de drenar o lago Guatavita, na Colômbia, em 1578, por acreditar que a tal cidade estava submersa.

São inúmeras histórias, através dos séculos, referentes a estas lendas, com empresas sendo fundadas e posteriormente falirem por buscar um tesouro que nunca existiu. A última expedição notória envolvendo o El Dorado ocorreu aqui no Brasil, em 1925, quando o capitão inglês, Percy Fawcett, junto apenas de um amigo e seu filho, fizeram buscas nas matas de Rondônia e Mato Grosso, porém desapareceram, provavelmente assassinados por indígenas da região.

Por fim, vale dizer que os europeus foram enganados durante 400 anos pelos nativos que consideram inferiores; e que não faltam referências à famosa lenda do El Dorado em jogos, filmes, músicas e outros, para aqueles que querem se aventurar ainda mais neste mito.

Conclusão

No sucesso da Sony, no ramo dos consoles, sempre vimos que Naughty Dog teve uma grande parcela de responsabilidade, isto se dava desde os tempos de Crash Bandicoot no PlayStation 1, conforme já vimos em artigos escritos anteriormente aqui na Gamer Point.

Porém, em Uncharted, talvez tenha sido o momento em que a Softwarehouse teve sua maior responsabilidade, já que as baixas vendas do PlayStation 3 obrigavam o surgimento de novas franquias exclusivas de qualidade, mesmo se o consumidor já tivesse escolhido as plataformas concorrentes de sua geração.

Por fim, vale dizer que o título cumpriu com suas expectativas e foi um sucesso suficiente para, não apenas impulsionar a trajetória do PlayStation 3, como também, ser um primeiro passo de uma das maiores franquias contemporâneas dos games.