Por Diego Souza e Rômulo de Araújo

Echo Generation é um RPG com batalhas em sistema de turnos desenvolvido pelo estúdio independente CocoCucumber e lançado dia 21 de outubro para PC e consoles da família Xbox,  disponível no Game Pass na mesma data do lançamento do jogo..

O jogo segue a estrutura básica de um RPG clássico, na qual você escolhe um personagem dentre vários disponíveis, lhe dá um nome e inicia a história (no seu quarto, óbvio).

De forma resumida, o jogo segue  seu personagem e a irmã dele(a) na busca de respostas sobre uma série de eventos ocorridos na cidadezinha em que moram e que acaba por levá-los a descobrirem sobre uma situação familiar passada. Os fatos vão acontecendo ao longo do dia e não há nenhuma pretensão por parte dos protagonistas, para nada. Soa como se literalmente eles fossem sair de casa de manhã para brincar e encontrar vários eventos simples que resolvem se transformar nas cabeças deles, em aventuras. 

O motor gráfico do jogo se utiliza da técnica de blocos, se assemelhando aquela usada em Minecraft, a pérola da From Software “3D Dot Game Heroes” e da série Lego para construir um mundo bonito e vivo, fazendo com que em poucos minutos você abrace aquele universo.

As cores brilhantes e o molde dos personagens dão um tom cartunesco, o que é extremamente agradável aos olhos e o torna um dos jogos mais bonitos do ano. O uso de cores é extremamente bem acertado, acima de tudo na mistura de pixel art dos backdrops com o 3D, que aliás parece ser algo que está entrando na moda –  essa coisa de pixel art extremamente afiada, dentro de modelos simples poligonais.

 

Tratando sobre a jogabilidade, é um RPG de turno com gameplay de fácil acesso a quem já é experiente neste tipo de jogo e para iniciantes graças as mecânicas de combate e evolução de personagem simples e didáticas. Lembra bastante jogos de RPG mais simples do Mario, ou mesmo quem Echo Generation mais está querendo homenagear fortemente: o Earthbound. 

Além disso, o jogo apresenta um mundo pequeno se comparado com outros RPGs, mas que conta diversos tipos de locações, como a cidade, área rural,  ferro velho, cemitério e floresta, todos em espaços fechados divididos por telas de loading entre eles.

 

Echo Generation parece estar preocupado com uma experiência suave, deixando muitas vezes o jogador prosseguir mesmo depois de ter perdido uma partida para um chefe.  Por exemplo, você pode ir embora com o item que vislumbrava antes do grandioso encontro com esses grandes monstros. Isso não é uma coisa exatamente persistente em todas as batalhas, mas está presente de forma suficiente.  A punição por morrer contra inimigos muito simples também é mínima: quando sua party morre, seu personagem volta na mesma tela, com metade da energia preenchida de volta, bastando então voltarmos para nosso quarto e descansar ou encarar novamente o inimigo. Todas as batalhas se baseiam em minigames simples para cada golpe, o que é uma ideia excelente e aplica um pouco mais de diversão nas batalhas em turnos – mais uma vez é algo copiado da série de RPGs de Mario. Porém é impressionante como os micro tutoriais para cada minigame estão tão mal implementados em Echo Generation. Enquanto o minigame já está rolando, uma breve explicação do que você deve fazer aparece, sem uma pausa nem nada – num momento onde temos tempo limitado, e errar um golpe que tinha tudo pra ser certeiro pode afetar negativamente o rumo da batalha. Esse momento soa como um caminhão que te atropelou e você nem anotou a placa. Fica então clara a falta de deixas visuais, brilhos, estímulos sonoros que prenunciam o evento todo. Invés disso, a aplicação é totalmente repentina e crua.

O sistema de party conta com 2 pessoas fixas no total (Seu personagem e sua irmã). O terceiro elemento será sempre um pet, que poderá ser recrutado ao longo do game. Essa talvez seja a mecânica que mais expõe o quão raso o jogo é como RPG. Simplesmente não há inimigos suficientes no jogo para farmar XP e deixar seus pets minimamente seguros para não tomar uma surra, não deixando muita escolha para nós senão investir apenas em um dos primeiros encontrados (certamente será o gato Meows para quase todas as pessoas).

 

Apesar de bonito e bem construído em aspectos visuais e de mecânicas de gameplay, Echo Generation peca no aspecto de sua história, mais precisamente na forma que a conta.

A main quest não se desenvolve de forma clara e objetiva, sendo que o jogo avança basicamente através de troca de itens com NPCs que permitem desbloquear novas áreas e atividades, parecendo muito mais várias pequenas side quests unidas do que uma história completa. O manuseio de objetos tão mundanos dá um charme e uma nostalgia com point and click do começo dos anos 90, e geralmente servem para chegarmos em gibis, onde cada edição significa um golpe diferente adicionado a um de seus personagens adquiridos ou que ainda irá adquirir. Mas a vida desses objetos não é longa, significativa, tampouco adiciona coisa alguma aos mistérios, que também parecem ser solucionados de forma rápida demais e anticlimática.

 

Além disso, o jogo vereda por vários temas  (urbano mágico, sci-fi, cyberpunk), porém, não consegue extrair o melhor que cada um pode oferecer, parecendo no fim uma colcha de retalhos, o que talvez até seja a ideia dos desenvolvedores, considerando o tema mais juvenil e lúdico. Claro que, é possível notar várias referências, até de obras que fazem referências à outras , como Stranger Things e seus mistérios de cidadezinha de interior ou da pacata vizinhança – pacata apenas na superfície. Existe um pequeno choque positivo no jogador, quando a obra se mostra um pouco mais apimentada tematicamente do que parece, mostrando mais do que imaginamos ao começar o jogo. Tão logo podemos nos deparar com assassinatos, cadáveres e outros mistérios que fazem com que dê um sabor especial ao local em que o jogo se passa. Uma pena que, no frigir dos ovos, o jogo pareça apenas uma amostra gratuita de algo muito mais duradouro e hardcore, tocando em todos os aspectos da jogabilidade de forma bastante superficial, com uma progressão aguada. Ela contém certo sabor, sim, mas é impossível não ficar um pouco decepcionado com o desdobramento do jogo, quando se percebe que ele está se passando tão rápido e o próprio gênero de RPG que ele aborda é a parte mais rasa nisso. Isso explica muito o detalhe absurdo dado aos cenários, quase como pintura às vezes.


 

 

Nota
Geral
7.0