Em 2013 chegou no mercado um jogo da franquia Alien que se tornou bastante polêmico entre seus fãs, tratava-se de Alien: Colonial Marines. Na ocasião tudo indicava que um FPS (tiro em primeira pessoa) inspirado no segundo filme da série seria uma boa aposta para o sucesso de mercado, o que até aconteceu, já que o título ultrapassou a marca de 1 milhão de cópias vendidas, porém, o jogo foi altamente criticado por inúmeros defeitos, como, por exemplo possuir grande quantidade de bugs, reutilização frequente de gráficos, colisão deficiente e inteligência artificial de baixa qualidade, resultando em um FPS bastante genérico.

Coube a SEGA, sua publicadora, aparentemente, fazer uma autocrítica e mirar o foco de sua sequência na primeira obra cinematográfica do popular Alienígena, resultando em algo assustador e incrível, o qual todos fãs esperam uma sequência.

Para você que tem medo do Nemesis e do Mr. X. Sabe de nada…

Alien Isolation é um jogo do gênero Survival Horror/Stealth, sendo desenvolvido pela The Creative Assembly e publicado pela SEGA em outubro de 2014, estando, atualmente, disponível para as plataformas Microsoft Windows, Linux, Nintendo Switch, Playstation 3, Playstation 4, Xbox 360 e Xbox One.

Abaixo segue o trailer de Alien Isolation.

Obs: Recomendamos que o primeiro filme da franquia Alien, conhecido como “O Oitavo Passageiro” aqui no Brasil, seja assistido antes do game ser jogado, uma vez que seus enredos estão fortemente conectados, além das diversas referências encontradas durante o gameplay.

Bastidores

O diretor criativo Al Hope.

Os fãs mais ardorosos da SEGA devem reconhecer o estúdio Creative Assembly como o responsável pela franquia de sucesso Total War, clássica dos PCs. Alien Isolation foi a primeira aventura da empresa no ramo dos consoles domésticos, o que fez com que uma equipe especializada neste tipo de jogo fosse formada do zero. Este time incluiu vários ex-funcionários da Crytek entre seus membros.

Dos nomes ligados a produção de Alien Isolation, aquele que mais se destaca é o diretor criativo Al Hope, que resumidamente disse querer fazer um jogo sobre o primeiro filme da franquia que nunca havia jogado. Al destaca que o interessante foi o apoio que tiveram da 20th Century Fox, que disponibilizou uma quantidade enorme de material sobre a série que jamais havia sido fornecido a ninguém.

O clima de vastidão e “isolamento” do espaço está bastante presente na ambientação.

Nas palavras de Al Hope em entrevista à revista brasileira PlayStation Oficial: “Logo no início recebemos muito conteúdo do primeiro filme, coisas incríveis que ninguém nunca viu, como desenhos, cenas de bastidores, ângulos diferentes dos que vemos no filme. Isso nos deu uma visão interna sobre Alien”.

Quanto à escolha de Amanda Ripley como protagonista, se deu pela liberação da personagem que havia aparecido apenas durante a versão do diretor do segundo filme da franquia. Claramente a presença de um personagem com uma conexão emocional foi importante para o desenvolvimento da obra.

Os detalhes dos cenários são incríveis. Principalmente para os fãs do filme original.

E quanto ao reflexo do desastre que foi o antecessor Colonial Marines, Al Hope responde: “Estamos trabalhando neste jogo há quase quatro anos (muito antes do lançamento de Colonial Marines). Sempre tivemos certeza do que queríamos fazer. Quando Colonial Marines saiu, nós víamos os comentários que as pessoas falavam – Por que não posso ter um survival horror com o Alien?, e eu só queria falar para as pessoas – Esse é o jogo que estamos fazendo! Então, de certa forma, foi positivo ver que o público tinha o apetite por um jogo assustador, intenso e imersivo, resgatando as raízes da franquia”.

Abaixo seguem imagens de Aliens: Colonial Marines.

Curiosidade 1: Em março de 2015, a SEGA veio a público informar que o jogo Alien Isolation havia atingido a incrível marca de 2 milhões e 100 mil cópias até aquele momento. Apesar de serem números relevantes, considerando o pouco tempo do lançamento, a empresa informou que esperava um sucesso de vendas maior, visto a popularidade da marca e o retorno positivo que estava tendo do público e da crítica especializada.

Enredo

Abaixo vamos fazer uma breve introdução ao enredo do jogo, sem maiores spoiler que podem atrapalhar a experiência daquele que ainda não jogou este excelente game, tratando-se apenas do prólogo e do início de seu gameplay.

A trama se passa no ano 2137 da franquia Alien, ou seja, 15 anos após os acontecimentos do primeiro filme (O Oitavo Passageiro). Tudo começa quando Amanda Ripley, filha de Ellen Ripley, é informada que a caixa-preta da Nostromo havia sido localizada por uma espaçonave de nome Aneisidora e que naquele momento estava localizada dentro de uma estação espacial de trânsito livre, chamada Sevastopol. Esta, por sua vez, estava em órbita ao redor de KG-348.

O Planeta KG-348.

Na ocasião é oferecido um lugar na equipe que irá buscar a caixa-preta para Amanda ter acesso a informações que possam esclarecer o paradeiro de sua mãe. Ao chegar em Sevastopol tudo indica que a estação está com problemas, obrigando os passageiros a entrarem através de uma caminhada espacial. Acontece que o cabo de segurança acaba se rompendo e a protagonista sendo obrigada a ficar, aparentemente, isolada em seu destino.

Em pouco tempo, Amanda percebe que o local está um completo caos, não havendo uma ordem civil comandante na estação (vale lembrar que estas naves são imensas, com diversas áreas e divisões, lembrando até mesmo pequenas cidades). A Cia Seegson já havia tempo que queria vender Sevastopol e, por conta disso, diminui bastante a verba destinada à estação. Como consequências, pequenos grupos de pessoas passaram a se unirem para fazer saques e garantir segurança em meio a esta “terra” sem leis.

A ambientação pesada mostra que o Alien não é o nosso único problema.

Após alguns eventos, Amanda encontra com Axel, que concorda em ajudar em troca de um lugar a bordo da Torrens, espaçonave em que ela havia chegado na estação. Infelizmente o destino deste breve amigo não é dos melhores, que revela que o pior na espaçonave não são as pessoas hostis, mas sim um predador que está solto causando inúmeras baixas por todos os lados.

Humanos podem ser hostis ou não.

Curiosidade 2: Em novembro de 2018, a 20th Century Fox efetuou o registro da marca Alien: Blackout para ser utilizado em um futuro software. Isto foi o bastante para que grande parte dos fãs publicassem nas redes sociais que a sequência de Isolation estava a caminho. Infelizmente, quando o anúncio oficial veio a público, o resultado não era exatamente o que todos esperavam, tratando-se de um título mobile. Enfim, continuamos no aguardo.

Abaixo segue o trailer de Alien: Blackout.

Análise Técnica

A jogabilidade em Alien isolation foge da temática dos demais jogos da marca, que utilizavam o segundo filme da franquia, dirigido por James Cameron, como principal inspiração. Aqui o foco está na sobrevivência em um ambiente de total desvantagem por parte do protagonista, onde somos caçados por um ser infinitamente mais forte que nós, conforme vemos na primeira obra de Ridley Scott. Nossa maior opção é passar despercebido quando vemos o predador por perto (ou outros inimigos), necessitando saber usar as ferramentas de stealth e conhecer os locais para se esconder.

Pequenos quebra-cabeças são necessários para hackear computadores. Aqui nos ajudam a lembrar que estamos em um survival horror.

Um dos maiores destaques de todo o título é a inteligência artificial do Alien, que demonstra grande capacidade de aprendizado junto ao meio que nos encontramos, além das grandes habilidades dos sentidos de visão, audição e até mesmo olfato. Algo interessante está nos sons emitidos pela criatura, que nos permite, com o passar do jogo, “compreender o seu idioma”, ou seja, determinado grito pode significar que encontrou algum humano, outro que está ferido, assim como aquele que indica ter visto algo suspeito, entre outros.

A inteligência artificial da criatura realmente chamou a atenção de todos.

Toda a aventura se dá em primeira pessoa e nossa principal ferramenta de proteção se mostra ser o radar de movimentos que indica por onde se encontram outros inimigos. O jogo não possui checkpoints, exigindo que os locais de saves sejam encontrados sempre que um avanço é atingido durante a aventura. Os mapas mostram um cenário amplo, não restringindo o método do jogador ter sucesso aos locais que deseja ir, assim, cada um deve descobrir o melhor caminho para se chegar até o próximo objetivo.

Mapas devem ser coletados para ajudar a não ficarmos correndo sem destino como baratas tontas.

Nossos principais recursos são fabricados durante a aventura com aquilo que encontramos, de forma aleatória, nos cenários. Valendo sempre lembrar que é impossível matarmos a criatura com nossas armas, apenas assustá-lo nos momentos mais críticos. A sensação de estar em um grande game de suspense e survivor horror se encontra presente na maior parte da aventura.

Todas armas devem ser utilizadas de forma estratégica durante a campanha.

Os controles do jogo funcionam bem, não havendo maiores problemas com respostas lentas ou problemas de câmeras, assim como percebi poucos bugs durante a aventura. Para um game destas dimensões isto realmente é incrível.

O tempo de campanha é longo, quando comparado com outros títulos de mesmo gênero lançados para consoles de mesma geração, levando facilmente mais de 20 horas de gameplay na primeira vez que é jogado. O fator replay é baixo, não havendo escolhas relevantes para serem feitas durante a campanha, porém, o game é de tamanha qualidade que provavelmente o jogador vai querer revisitá-lo futuramente ou ir atrás dos seus troféus.

O detector de movimentos é nossa principal ferramenta de sobrevivência durante a aventura.

Os gráficos e a direção artística estão incríveis, principalmente quanto à fidelidade dos cenários, quando comparados com o filme original de 1979. Não é exagero dizer que parece que estamos circulando pelo set de filmagem deste clássico do cinema. Outro destaque damos novamente ao Alien, que também teve como inspiração o original do pintor surrealista H. R. Giger.  Sua movimentação e design ficaram incríveis, dignos de parabéns.

A dificuldade, quando comparado com jogos dos dias de hoje é alta, podendo ser frustrante nos momentos em que o Alien não “sai de nosso pé”. Conheci alguns jogadores que se sentiram frustrados pelo número de mortes consecutivas e, por isso, acabaram considerando o título repetitivo. Minha dica é, não jogue como um jogo de ação, olhe o mapa e trace estratégias, é isso que os desenvolvedores do game esperavam do jogador durante seu desenvolvimento.

Devido ao fato da dificuldade ser um tanto amarga, sempre devemos procurar pelos saves. “Que alívio”.

A trilha sonora é pouco presente durante a campanha, focando bastante no “silêncio espacial” e no clima em que os barulhos são relevantes, apesar disso, as poucas músicas presentes ainda são de qualidade e, além de remeter à trilha da obra clássica que foi desconstruída, combinam com a proposta do jogo. Os efeitos sonoros, por outro lado, são incríveis e dignos de muitos elogios, não somente pelo trabalho feito junto à criatura, mas também na dublagem, que além de bem feita, teve a participação de Sigourney Weaver, interpretando o papel mais icônico de sua incrível carreira de atriz, Ellen Ripley.

Abaixo segue a trilha sonora completa de Alien Isolation.

Curiosidade 3: Alien Isolation foi bastante elogiado pela crítica em seu tempo, inclusive recebendo inúmeros prêmios, como de Jogo do Ano pela PC Gamer, GameFront’s, New Statesman’s e Kotaku Austrália. Assim como melhor jogo de terror pelo GamesRadar. Na premiação mais popular dos dias de hoje, The Game Awards, o título concorreu em duas modalidades (melhor trilha sonora e melhor jogo de ação/aventura), infelizmente, não ganhando em nenhuma delas.

Conclusão

Após a sexta geração dos consoles, o gênero terror, aparentemente, saiu do foco de grande parte das principais empresas e acabou sendo algo do cenário independente. Talvez pela premissa de facilidade de programação, devido a menor quantidade de detalhes, o estilo stealth foi o mais utilizado. No meio de grande número de títulos, sem dúvidas, ao menos ao meu gosto, Alien Isolation é o melhor game com esta temática já feito. Com uma inteligência artificial invejável para qualquer inimigo e um inventário recheado de possibilidades de defesa, esta é a experiência suprema para todo aquele fã deste estilo. Enfim, foi o jogo da franquia Alien que esperei jogar durante toda minha vida.

Jogado no Playstation 4