Dying Light é a realização de seu embrião, o Dead Island como franquia, porém mescla elementos de horror, aventura, RPG e parkour – tudo em primeira pessoa.

Aiden, o Peregrino

Nossa jornada pelo jogo será marcada por quilômetros e mais quilômetros de corrida, como se já quisessem nos mostrar isso, a apresentação do protagonista é frenética, com ele fugindo de infectados, enquanto pula por carros e escombros de um túnel escuro.
Após a cena inicial, somos colocados no clássico tutorial, que vai mostrar como usar os instintos de sobrevivência para achar itens coletáveis, fazemos nosso primeiro item de cura e o jogo segue no que seria nossa primeira missão.

O tutorial segue com ensinamentos sobre o parkour, que de longe é a coisa mais legal desse jogo. Nosso protagonista inicia a busca em uma espécie de residência de luxo (ou pelo menos foi, em um passado distante) onde observamos o que houve com os que ali estavam.

Bem-vindo a Villedor: o seu playground ou o seu cemitério

Humanidade em meio ao caos

Boas histórias de zumbis não se firmam apenas com criaturas sedentas por cérebro, as melhores são aquelas que tem como base explorar as camadas do ser humano, assim como em A Noite dos Mortos-Vivos, The Walking Dead e The Last of Us. Os monstros são um empecilho, mas a ameaça mesmo são as intrigas e sede de poder que permanecem independente do que aconteça com o mundo.

Em Villedor, nossa primeira parada, vamos encontrar os aliados ou inimigos, dependendo do seu estilo de jogo, já que aqui as escolhas determinam o rumo das situações, cada decisão é única e irreversível. Pelo jogo existem grupos espalhados que costumam contar casos que ocorreram antes ou depois da pandemia, recomendo pelo menos uma vez, parar e ouvir, são detalhes que fazem a diferença.

Podemos trabalhar para um grupo no começo de uma missão e decidir mudar de lado no meio dela, caso traga algum benefício. Os personagens são carismáticos e possuem boas histórias, todos estão na mesma situação e devem fazer o máximo para sobreviver.

Destaque para Lawan e Hakon, personagens que nos ajudam durante a jornada, Hakon é um dos primeiros que se dispõe nos levar para nosso objetivo. Ele é de longe o que possui melhor visual comparado com outros bonecos. Já Lawan é uma atiradora que conhecemos em uma das missões mais legais do game, ela nos ajuda em uma fuga alucinante contra um dos chefes, e apresenta uma outra base que servirá de ponto de refúgio por certo tempo.

Por mais que os NPC’s não possuam expressões faciais realistas, se você é um jogador que gosta de “entrar no mundinho”, vai facilmente se sentir apegado com um ou outro, e claro que o jogo vai te fazer tomar decisões que podem levar a desfechos tristes, tudo para não sair do clima tenso e opressor de fim do mundo. Mas nem tudo é cinza, existem momentos engraçados nas missões, aproveite.

Como diria Michael Scott, PARKOUR!

Esse jogo não teria metade do divertimento que ele possui, se não fosse as acrobacias que fazemos usando o parkour, seja para se deslocar pelo mapa, ou fugir de inimigos. É satisfatório evoluir a árvore de habilidades para ganhar novos movimentos e se tornar praticamente o Peter Parker do mundo pós-apocalíptico, corrida pela parede, usar obstáculos, zumbis e tudo que for sólido para pegar impulso é divertido demais, e existem ainda as habilidades de combate que podem ser fundidas com as de parkour, tornando assim a gameplay ainda mais fluida.

Aiden é ágil e pode usar sua velocidade para fugir e para atacar, no jogo podemos usar furtividade para passar das missões, ou quando estamos explorando algum prédio infestado por criaturas, se algo der errado, basta correr e sumir de vista antes que seja tarde.

Os modelos dos personagens não são grandes coisas

Pequenos empecilhos.

O jogo sofre com alguns bugs, e os que encontrei durante minha gameplay foram de longe os mais frustrantes até então. Em determinado momento, um inimigo forte golpeou o chão e o efeito de tremor que ele causou não parou mais, a tela tremia impossibilitando qualquer visão do jogo, isso persistia mesmo com meu personagem morrendo e voltando.

Em outro, ao chegar no local da missão, a opção de falar com o NPC estava desabilitada, informando que havia inimigos por perto, o problema é que não havia. Esses e outros que observei, só foram resolvidos quando voltei ao menu e iniciei o jogo mais uma vez, quebrando o ritmo em um jogo que necessita ser contínuo como um rio.

Isso pode afastar os jogadores mais exigentes, além dos bugs, há a falta de algo rebuscado, as expressões faciais não impressionam e tendem a parecer algo sem emoção, ainda bem que a narrativa contorna esse lado. Os cenários por vezes tendem a ser repetitivos, certas missões nos colocam para batalhar em locais fechados, onde claramente deveríamos ter mais espaço.

Algo que pode irritar player mais casuais, é que todos os itens perdidos ou consumidos em combate, não irão retornar caso você morra, ou seja, se você morrer demais em uma parte difícil vai precisar parar uma hora para repor suas armas e curas.

Outro problema que é estranho em jogos dessa geração, é o fato de os gráficos mudarem ao iniciar uma cinemática, é sútil, mas ainda assim estranho, textura e iluminação ganham uma qualidade maior como se um interruptor fosse ligado.

Escolha seu lado

Existem facções que dividem a cidade, na maioria das vezes não há harmonia entre eles, aqui vamos ter que fazer certos favores e escolher qual deles vai nos beneficiar e facilitar nossa jornada. Os pacificadores podem dar armadilhas que nos ajudam fugir de hordas, já os sobreviventes instalam estruturas pela cidade que possibilitam maior locomoção, como cordas e trampolins.

Toda vez que uma instalação elétrica, ou reservatório de água for tomado, você poderá escolher quem vai beneficiar, mas não precisa escolher apenas um, é possível balancear e usar um pouco do que cada grupo tem para oferecer.

A caracterização e veriedade dos zumbis é interessante

Cai a noite na cidade…

Quando a luz morre, a coragem vai junto. A noite em Dying Light é opressora, e traz ameaças para as ruas, o que antes era seu playground para pulos e corridas, agora é o palco de centenas de zumbis, e como se isso não bastasse, há ainda aqueles que correm quase tão rápido quanto você.

Encontrar um uivador e deixar que ele te veja, inicia uma perseguição, a fuga frenética até o ponto que tenha luz UV mais próximo é bastante assustadora e até mesmo divertida quando se acostuma, durante a noite toda experiência que obtivermos (combate ou parkour) terá uma bonificação, então sempre é válido se esforçar para correr por sua vida, porém, se você morrer, perderá bônus, ganhando apenas a experiência normal.

Certas missões só podem ser feitas na parte da noite, algumas exigem eliminar monstros que só aparecem nessas condições, há missões principais que seguem a mesma lógica, é divertido e tira o tom monótono do jogo. Mas conforme você avança na campanha principal, vai ganhar itens que deixam sair à noite uma moleza, então a sensação de medo se vai, existe um aparato que faz você literalmente levantar voo, em meio uma perseguição, basta fazer isso e se ver livre dos inimigos que só podem correr.

Além disso, existem diversos esconderijos de vigilantes noturnos, todos equipados com luzes UV, que afastam todos os infectados e lhe dão segurança.

Quando o clichê funciona

A narrativa de Dying Light 2 é contada através do que ouvimos de Aiden e de sonhos que ele tem, fragmentos de sua infância, descobrir os segredos é bastante agradável. É a clássica fórmula de mocinho vs vilão, mas é uma boa história com momentos emocionantes e outros até mesmo surpreendentes, o título do jogo possui ainda mais significado do que apenas se manter como humano, mas sem spoilers.

Aiden é um personagem carismático, que quer apenas achar sua irmã e ter justiça para o que aconteceu no passado, no caminho vamos escolher ajudar um lado ou o outro, quem de fato está certo?

É como “O Chão é Lava”: ande pelos telhados,  vá pelo solo se quiser o perigo

Apena mais um?

Dying Light 2: Stay Human provavelmente vai agradar aos que jogaram o primeiro game, mas pode não prender novatos na franquia, o visual que foi mostrado anteriormente nas suas apresentações não foi o resultado final, sua história simples e com bugs que forçam a desistência, são os maiores inimigos do game, é compreensível que ele tenha recebido notas abaixo do esperado, mesmo com uma franquia que possui uma boa quantidade de fãs.

Como não havia jogado o anterior, minha experiência foi positiva, por tudo ser novidade, outra coisa que não será atrativa aos conhecedores. No mais, é aceitável que ele seja visitado em breve, pois ainda esconde bons momentos e um história intrigante de acordo com suas limitações.

Mas se você gosta de zumbis, ação e uma boa dose de narrativa simples e direta, pode adicionar ele em sua coleção de jogos. A franquia possui um futuro incerto, a Techland precisa mudar a fórmula e trazer novidades, somente isso fará um futuro terceiro título ter o reconhecimento que merece.

Nas horas que estive pulando pela cidade, foi divertido acompanhar Aiden em sua jornada por justiça, encontro e despedidas regados com uma bela trilha sonora vão ficar por um tempo na memória, mas ainda faltou um tempero a mais, algo que fosse épico e não só o feijão com arroz.

Essa análise foi feita com base em uma cópia cedida pela Techland, agradecemos por confiar em nossa equipe.

Nota
PONTUAÇÃO GERAL
7.5
Dying Light 2: Stay Human consegue ser um jogo com temática de apocalipse zumbi divertido e intrigante, mesmo em uma época com centenas de outros jogos utilizando o mesmo princípio.permaneca-humano-e-confira-a-nossa-analise-de-dying-light-2