Crash Bandicoot, um dos mais icônicos personagens dos nostálgicos tempos de PS1 e PS2, permaneceu por muito tempo sem receber jogos próprios. Sendo mais exato, desde 2008, quando tivemos o lançamento de Crash: Mind over Mutant para PS2, o querido marsupial não ganhava novas aventuras (isso não considerando spin-offs e remakes).

Finalmente, em junho de 2020, a Activision revela oficialmente Crash Bandicoot 4: It’s About Time para o mundo, com lançamento marcado para outubro do mesmo ano.

O subtítulo do jogo, inclusive, tem dupla interpretação; “It’s About Time” pode significar “Se trata de tempo”, se referindo à temática de viagens temporais do jogo, como também pode ser entendido como “Já estava na hora”, visto que ficamos mais de 10 anos sem ter novas aventuras do personagem.

Desenvolvido pela Toys for Bob e publicado pela Activision, o jogo marca o retorno de Crash aos consoles com novos mundos, novos poderes e uma nova história. Mas será que Crash 4 é bom o suficiente para manter o legado do marsupial mais famoso do mundo?

Começando pelos visuais, Crash 4 pode não impressionar num primeiro contato com os trailers, pois comparado à N. Sane Trilogy o jogo se mostra menos realista, porém não se engane: o jogo é muito bonito.

Crash 4 adota uma arte mais cartoonizada e a direção de arte do jogo, de forma geral, foi muito bem trabalhada; o design dos inimigos, dos personagens principais, dos cenários de fundo, a ambientação, os mapas no menu de mundos do game… tudo parece bem pensado e o resultado final é um jogo de gráficos que são, apesar de aparentemente simples, muito bonitos e detalhados.

O estilo de arte escolhido para o jogo foi acertado. Crash 4 tem uma pegada descontraída (trilha sonora, diálogos, enredo, personalidade dos personagens e etc.) e os visuais caprichados contribuem positivamente para a experiência.

A jogabilidade é outro ponto positivo do jogo; além de bem precisa, apresenta uma grande fluidez, o que é muito necessário visto o quão dinâmica é a gameplay do jogo. Um fator que alimenta a fluidez do jogo é sua performance: o jogo roda a 60fps no PS4 Pro e no PS4 normal mantém uma média de 40 a 50fps. Em comparação, o remake da trilogia original rodava em 30fps travados em ambas as versões do PS4.

Em termos de jogabilidade e gameplay, temos no jogo os elementos básicos que se esperam de um jogo do Crash como pulo, deslize e rodopios, porém dessa vez temos também novos fatores que são adicionados pela presença de máscaras quânticas no game.

Crash, que já tem fama de ser um jogo não dos mais fáceis, fica ainda mais desafiante com a adição desses alteradores de gameplay em tempo real. As fases são bem dinâmicas e, apesar de no geral serem bem difíceis, são também viciantes.

Inverter a gravidade do mapa, parar o tempo, tornar objetos do cenário tangíveis e intangíveis… a Toys for Bob implementou diversas formas de diversificar a gameplay do jogo e todas funcionam bem, dando mais dinamismo à jogabilidade.

Além das máscaras, ainda controlamos diferentes personagens no jogo, cada um com suas próprias características de jogabilidade e fases especiais exclusivas. “Repetitivo” é certamente um adjetivo que não combina com Its About Time.

Crash 4 não é um jogo tão longo se jogado apenas uma vez, por isso temos a forte presença do fator replay no mesmo. Seja para desbloquear novos visuais para Crash e Coco, pegar joias escondidas, desbloquear fitas de flashback (fases de desafios especiais) ou simplesmente concluir as fases no tempo indicado, o jogo se esforça para fazer com que os jogadores joguem novamente as fases já concluídas.

E já que citamos os visuais, vale pontuar que o jogo possui um sistema interessante de personalização. Tanto Crash quanto Coco (podemos jogar todas as fases com ambos em Crash 4) possuem diversas roupas diferentes para desbloquearmos. O modo de fazer isso, como citado acima, é rejogando as fases e procurando cumprir desafios nelas.

O modo multijogador está presente no jogo de forma simples. Na campanha, o Pass N. Play permite que dois jogadores revezem o controle do personagem conforme avançam ou morrem (um clássico “perdeu, passa o controle”), e fora da campanha ainda temos alguns modos de desafios, mas nada que seja muito elaborado, deixando assim os eventuais entusiastas de um modo multijogador local um pouco frustrados.

A trilha sonora do game é bem interessante, as músicas são agradáveis mesmo a “longo prazo” (visto que, pela dificuldade de alguns níveis, você passa um bom tempo ouvindo as mesmas músicas) e combinam com os diferentes níveis. As diferentes músicas presentes cumprem bem seu papel, mas a maior força nesse quesito se dá mesmo pela nostalgia ao ouvir temas que possuem melodias bem familiares ao que vimos nos jogos da década de 90.

A construção dos personagens e o enredo do jogo são bem simples; todos os personagens são bem divertidos, as interações entre eles são boas e o enredo, como é de se esperar em um jogo desse tipo, é leve e sem muita complexidade.

Isso, no entanto, não quer dizer que o enredo seja mal feito, pelo contrário; pegando o contexto do game, os acontecimentos, cenas e diálogos são bem legais. Algumas vezes até com uma pequena pitada de humor ácido.

Falando em diálogos, Crash Bandicoot 4 está totalmente localizado para o português brasileiro! O jogo apresenta opção de legendas e dublagem no nosso idioma, essas que ficaram muito bem-feitas e, assim como a trilha sonora, combinam bastante com o jogo.

It’s About Time tem uma pegada moderna mas ao mesmo tempo com fortes doses de nostalgia. O jogo, apesar de ser cheio de novas atrações, ainda tem aquela velha sensação gostosa de estar jogando um Crash Bandicoot.

Após anos deixado de lado, finalmente temos uma continuação digna para o nosso amado Crash. O jogo é divertido, bonito, inovador, desafiador, viciante e nostálgico, e se mostra como um dos melhores jogos de plataforma da geração. Mesmo para os jogadores que não tiveram contatos anteriores com jogos da série, vale a pena encarar os dificultosos níveis e dar uma chance para o título.

Agradecemos a Activision Brasil pela disponibilização de uma cópia do game para podermos avaliar.