Um buraco negro se abriu no céu. A Organização de Pesquisa em Ciência Sobrenatural enviou agentes para a região para investigar. Entre várias baixas, sobrou para a protagonista dessa história, a jovem agente Sheila, que recebe a já batida missão de salvar o mundo.

Até aí tudo bem, só que o buraco negro chamou a atenção de outra organização que quer usar o fenômeno paranormal para seus próprios propósitos. E tá aí o início de uma curta e divertida jornada.

Um espetáculo visual criado por apenas uma pessoa

Em 2019, um joguinho despretensioso dava as caras na Steam em acesso antecipado e com apenas 30 minutos de duração. Bright Memory 1.0 (como hoje é chamado), me impressionou bastante com seus gráficos incríveis, a adição de recursos como Ray Tracing e um gameplay extremamente bem trabalhado.

A impressão inicial era de que aquilo ali poderia ser o ponto de partida para algo melhor. Era tipo um prato de entrada de um jantar, apenas um aperitivo, só um pãozinho de alho do churrasco. Vale destacar que o jogo se tornou ainda mais impressionante após eu descobrir, só depois de jogá-lo, que ele era um projeto de um homem só.

O trabalho artístico do FYQD Studio (exército de um homem só!!), é algo de encher os olhos a todo momento. Sem dúvida alguma, é aqui onde Bright Memory Infinite realmente impressiona desde o seu antecessor. Apesar da modelagem da protagonista ser um tanto quanto apelativa demais para os padrões atuais, a ambientação do jogo é de dar inveja a muito AAA que vemos por aí.

Perdi a conta de quantas vezes eu parei simplesmente para admirar o cenário do jogo. O desenvolvedor fez um trabalho incrível ao produzir visuais altamente detalhados com excelente direção de arte que se inspira no folclore chinês. Isso é ainda mais impressionante, já que todo o jogo acontece durante uma forte tempestade. Ou seja, espere uma atmosfera incrível que inclui ambientes encharcados de chuva com folhagens individuais sendo sopradas pelo vento.

História fraca, mas que não atrapalha o prato principal

Bright Memory Infinite, por sua vez, é praticamente um recomeço no que se refere a história. Como o seu “antecessor” era quase que visto como uma tech demo, o criador pelo jeito optou por recomeçar a história do zero e aproveitar os excelentes gráficos e a excelente jogabilidade do seu filho mais novo.

Apesar de não ter nenhuma conexão com o Bright Memory original, você aqui ainda controla a Sheila, que como já foi citado acima, é uma agente da Organização de Pesquisa em Ciência Sobrenatural. O calcanhar de Aquiles neste enredo é o inexistente desenvolvimento de personagem e tensão zero para manter os jogadores instigados na narrativa. Isso é agravado pela falta de dublagem e um roteiro bem medíocre.

Mas felizmente, a forma que a história é contada aqui em Bright Memory, acontece em momentos que servem para você respirar um pouco e tomar um fôlego, e cumprem seu propósito de marcar o próximo encontro.

Tiro, espada, bomba e… Dark Souls?

Adicione uma pitada de Bulletstorm, um toque de Shadow Warrior, um pouquinho de Devil May Cry e acompanhe com um gole de Dark Souls. Essa provavelmente foi a refeição que o criador de Bright Memory consumiu para criar essa mistura de gêneros e adicionar em um gameplay que é o principal motivo de você jogar Bright Memory Infinite.

O jogo tem uma variedade de armas para ser um bom FPS que lembra bastante os saudosos shooters de Arena. Na verdade, não só as armas, como também os corredores repletos de inimigos iguais repetindo os mesmos movimentos. No arsenal de armas de fogo, você conta com uma pistola que se comporta mais como uma submetralhadora e também pode disparar granadas incendiárias.

O rifle de assalto, que é útil para inimigos de médio alcance com balas de rastreamento opcionais que gravitam para o inimigo mais próximo. Lógico que não poderia faltar ela, a espingarda, que é melhor reservada para encontros próximos e também pode descarregar bombas de estilhaços que queimam inimigos. Enquanto o rifle sniper é ideal para eliminar alvos de longo alcance com granadas pegajosas que você pode mirar no corpo do seu inimigo.

Nessa mistura de gêneros, Bright Memory Infinite adiciona ainda uma boa variedade de armas corpo-a-corpo extremamente letais e que são deliciosas quando usadas da maneira correta. Com alguma prática, a espada pode até desviar projéteis e ser usada para dar parry em alguns ataques corpo a corpo. A Sheila também conta com um braço robótico que pode manipular inimigos e desbloquear meia dúzia de habilidades à medida que você avança.

Como dito, o jogo traz um pouco de Souls Like para o seu gameplay. Então espere lutas contra chefes um pouco mais desafiadoras do que as dezenas e dezenas de inimigos idênticos que spawnam a todo momento nos belos corredores de Bright Memory Infinite, mas que não são uma grande ameaça devido a sua IA um pouco burra.

Para levar você de encontro aos chefes, Bright Memory Infinite faz um bom trabalho incentivando os jogadores a dominar todas as mecânicas do gameplay, além de incentivando-o a explorar o ambiente e encontrar maneiras criativas de misturar suas habilidades. Aprender a dominar as habilidades da protagonista não é só divertido, como também é crucial para conseguir a vitória contra os chefes.

Na tentativa de ir muito além em pouco tempo e com pouco recurso para a produção do jogo, o seu criador tentou colocar algumas coisas a mais no jogo que, ao meu ver, diminuiu bastante a experiência e o bom ritmo que ele poderia manter ao longo da curta jornada. Para misturar as coisas, Bright Memory inclui uma missão furtiva e uma sequência de gameplay dentro de um carro.

Mas, para ser honesto, essas fases são os pontos baixos do jogo devido as mecânicas extremamente preguiçosas e mal trabalhadas. Felizmente, eles só duram alguns minutos e cumprem a ordem de adicionar alguma variedade à campanha.

Destaque negativo e de momento nonsense aqui é para uma sequência aleatória onde você atira em um bando de porcos selvagens que não faz o menor sentido no jogo.

Nota
Geral
7.0