Left 4 Dead foi uma grande sensação da segunda metade da década de 2000 por causa do modo em que implementou um modo cooperativo com jogadores reais, ao mesmo tempo que fazia truques de game design para que a diversão fosse sempre fresca, mesmo se você estivesse revisitando o mesmo mapa várias e várias vezes, tal como Counter Strike. 

Adicione a fórmula de sucesso que os zumbis estavam fazendo na cultura pop em geral e você tem algo que ajudou a impulsionar ainda mais o Steam, além de ter gerado 2 ports para o console Xbox 360. Tantos anos depois, como será que a mesma produtora se saiu, replicando cada aspecto do clássico, adicionando outros aspectos e tentando dar mais um fôlego para a fórmula?

Back 4 Blood é do tipo de jogo que coloca os seus outros 3 companheiros num chiqueirinho e força a equipe trabalhar junta, dentro de um cordão invisível. Quem se separa sem querer ou não, tem um destino parecido aos mais vitimados panacas de filmes de slasher. O diretor também invisível do jogo (acho que fica mais fácil eu falar que é a inteligência artificial que comanda a partida), irá jogar sujo e emboscar esse pobre jogador com tudo, e se a equipe não for astuta, é bye bye para ele.

O modo em que os zumbis são soltos para atacar os jogadores pode parecer aleatório, mas não é. Sempre analisando seu desempenho, o diretor irá deixar sempre a partida mais interessante e cabe a vocês, ultrapassar esses desafios tão inesperados.

É possível completar um time com bots, ou jogar totalmente com bots. Ao contrário de Left 4 Dead, aqui os bots são uma mão na roda e por horas eu consegui ter resultados melhores com eles do que com alguns desconhecidos da rede.  Isso não significa exatamente que a sua partida será tão divertida quanto jogando com pessoas de verdade, mas garante que você sempre vai ter como experimentar o game sem precisar depender de outros jogadores.

Os personagens de Back 4 Blood parecem ter saído de um mundo mais preparado para um ataque zumbi, acostumado com militarismo mas ao mesmo tempo apenas parecendo caricaturas vindas de alguém que não quer humanizar e explicar muito as coisas. A Turtle Rock Studios se saía melhor fazendo personagens como Coach, Rochele, Bill e tantos outros de Left 4 Dead.

De personalidade a figurino, eles exalavam um jeito de grupo de pessoas comuns mas que estaria disposto a lutar o suficiente para sobreviver mais uma noite. Tendo dito isso, não dá para ter tanta compaixão pelos personagens de Back 4 Blood, não pelos mesmos motivos. 

Algo parecido pode ser dito dos infectados especiais, que agora possuem características mais interessantes para a jogabilidade, mas não se pode dizer o mesmo do carisma dessas. Nem as músicas no pianinho, que rolavam como um tema para cada inimigo especial diferente, aqui não existe ou simplesmente apenas barulhos específicos não são tão empolgantes como pequenas vinhetas.

Invés de termos a “Witch”, que quase sempre atrapalhava o caminho ficando sentada no chão e chorando, pronto para pegar o primeiro que a perturbasse, e temos o equivalente aqui, que são agrupamentos de pássaros, que vão alertar a horda se alguém se aproximar demais. O impacto simplesmente não é o mesmo.

Back 4 Blood traz uma novidade interessante: são cartas e baralhos, adquiridas antes de partir para um novo capítulo ou achando dentro das batalhas. Você pode montar os seus decks a vontade, podendo ter 15 cartas em cada um deles. Essas cartas vão dar pequenos benefícios e condições especiais para seu personagem. Temos por exemplo, o aumento de munição que se pode carregar, aumento de vida máxima, e também coisas como “a cada facada num zumbi comum, você recupera 1 de vida”.

Usando uma carta igual, claro, o efeito será dobrado mas não é possível ativar todas as 15 cartas de seu deck de uma vez. É preciso ir adicionando cartas já do deck, entre cada fase. Essa coisa toda dá um fôlego e dinâmica diferente ao jogo L4D, porque lá, as partidas eram planas, e apenas mudava-se onde e quando os inimigos apareceriam. Agora, com o sistema de cartas temos mais variáveis para se preocupar, como  por exemplo a barra de estamina, que quando esgotada, não deixa seu personagem realizar um sprint, assim como o deixa lento para realizar um soco.

Para melhorar o tempo que se aproveita de seus pulmões, é simples: baixe a carta de “+10% de vigor”. Então, como pode ver no exemplo acima, a existência de mecânicas limitadas inicialmente, poderá ser revertida em prazer de jogar, graças ao sistema de cartas. Um ajuda o outro nesse sistema.

Basicamente, em cada mapa o objetivo é atravessar do ponto A ao ponto B, mas as vezes temos pequenas variações, como no final dos atos, onde temos que fugir de uma horda enquanto abrimos caminhos, ou carregar um canhão com balas pesadíssimas É neste momento em que o senso de equipe é colocado para teste.

O jogo possui uma campanha, com bem mais exposição de história do que esperávamos, chegando a  ter CGs de certa qualidade, mas que não agregam em absolutamente nada. Já na parte de matchmaking, é preciso dar os parabéns à equipe, por fazer essa experiência suave entre todas as plataformas, incluindo chat próprio entre a equipe, mesmo se cada um estiver em um sistema diferente (acredite, eu experimentei esse tipo de salada). Isso é algo que jogos com crossplay como Dead by Daylight tinham que ter em primeiro lugar e até hoje não se sabe o motivo de não termos.

Back 4 Blood parecia um pouco desregulado em seu teste em beta, mas no fim das contas as coisas parecem terem se encaixado bem. O sistema de cartas pode parecer um  pouco intimidador, porém é possível ignorar tudo de detalhe que o jogo quer passar para o jogador inicialmente. É possível apenas partir para o jogo e dar uns bons tiros sem se preocupar muito com uma pilha de cartas.

Então a inserção desses elementos pode ser feita depois, de forma que você já esteja envolvido o suficiente com a jogatina e esteja pronto para correr atrás de artifícios como estes, que irão dar um ar de frescor a um jogo que é basicamente feito para ser jogado em círculos, revisitando e revisitando as fases depois de certo ponto. São quase 30 fases, tirando os outros modos, então não dá pra dizer que é um pacote pequeno, mas seus sistemas estão aí para ajudar no fator replay.

Nota
Geral
7.0