Pode-se dizer que vivemos numa era de resgate de jogos antigos. Grandes franquias estão sendo portadas, remasterizadas ou refeitas para as plataformas atuais e isso é excelente para resgate de pérolas do passado.

Mas alguns jogos e personagens ficaram perdidos no tempo e não tiveram sequências e evoluções durante a evolução dos videogames. Alex Kidd é um desses personagens.

Sendo um mascote que a Sega trabalhava antes do Sonic existir e que estrelou vários jogos clássicos da empresa, Alex Kidd está de volta com Alex Kidd em Miracle World DX, um remake de um jogo de 1986 desenvolvido pela Jankenteam e publicado pela Merge Games. Será que ele pode finalmente alcançar as alturas que a Sega esperava na época do Master System, ou mais uma vez ficará aquém das expectativas?

Refazendo um clássico

À sua época, Alex Kidd foi um título bem inovador. 35 anos depois e vemos aqui um remake visual com design visual bem mais moderno. Podemos aqui mudar para o modo gráfico original (como o remaster de Halo de alguns anos atrás) e é sempre uma adição positiva.

Com um botão, é possível ver imediatamente o tanto de trabalho gráfico feito para aprimorar Alex Kidd em Miracle World. A diferença deste DX é gigante quando comparado ao jogo original, mostrando o quanto de amor foi dedicado para tornar esta aventura antiga novamente relevante.

A história se mantém com a mesma premissa: Você joga como uma criança chamada Alex, em uma missão para salvar um reino da ameaça de um grande vilão que quer dominar o seu reino, etc etc. Histórias e narrativas em videogames na época não eram tão exigidas pelos jogadores como hoje em dia, então não precisavam criar uma linha de história elaborada. E mesmo que fosse elaborada, poucos iriam realmente ler.

Quanto aos sons, a trilha sonora original consistia em um chiptune mais básico e desperta a nostalgia dos fãs da série até hoje. Alex Kidd em Miracle World DX recebeu uma retrabalho completo na sua trilha, assim como foi feito com seus visuais. As melodias antigas já eram bem chicletes e eu, depois das horas jogando, ficava cantarolando as músicas deste remake também.

Em relação ao seu conteúdo durante o jogo, aqui você tem a mesma ideia de plataforma e inimigos do original, como pterodátilos, escorpiões, morcegos venenosos, cactos explodindo e etc. Há chefes que podem ser derrotados em uma partida de Jo-Ken-Po, e isso sempre foi muito único para o Alex Kidd.

Há também veículos diversos nas fases que podem ajudar na sua travessia: hovercrafts, minibikes e plataformas voadoras. Além disso, você pode coletar / habilitar vantagens que permitem atirar bolas de fogo e… bom, acredito que eu não precise descrever tanto assim, né? Alex Kidd faz parte da cultura gamer brasileira, então resumindo: Tá tudo aqui. É um remake quase 1:1 do jogo de 1986.

A bad-trip de Nostalgia

E por ser um jogo antigo, elementos de gameplay parecem  antiquados. A detecção de golpes, seus ou dos inimigos, muitas vezes é estranha e inconsistente. A movimentação do personagem também, tanto no solo quanto pulando, pareciam imprecisos e sem peso, tendo que realmente me acostumar com uma física esquisita durante todo o game.

Certamente resultado da recriação de um jogo de muito tempo atrás. Mas o complicado é que os controles são um aspecto crucial do jogo, especialmente em um de plataforma, e hoje em dia temos expectativas baseadas em referências recentes, com controles muito mais responsivos. Nesse caso, ao invés de manter o original, poderiam ter aprimorado. 

Caso você ache o jogo bem difícil (como eu achei), há a opção de vida infinita. Contadores de vida não são mais utilizados nos jogos hoje em dia como limitadores de progresso e, honestamente, aqui eu sinto que esse modo de jogo poderia vir como padrão.

Considerando todos os problemas que tive com controle ou a frustração de perder em uma partida de pedra-papel-tesoura contra um chefão, as vidas infinitas me deram um gás para jogar até o fim e prestar atenção no que realmente importa: No resgate de um amado jogo do nosso passado. 

E é disso que se trata esse remake. Será que vale a pena perceber que um jogo seu do passado, do tão querido e amado Master System (meu primeiro videogame), está datado e não é bom de se jogar hoje em dia? Ou pior, nunca foi bom de se jogar? Os sentimentos são conflitantes e, no fim, eu sinto que eu deveria ter mantido as boas memórias de ter jogado o jogo original na minha infância.

Nota
Geral
6.0