Após ter pego todo mundo de surpresa com seu anúncio lá em 2017, finalmente a maior franquia de RTS medieval da indústria, está de volta maior e com o mesmo frescor de antes.

Antes de mais nada, é preciso afirmar logo de cara: Age of Empires IV é o jogo mais acessível e atraente para novos jogadores. Devido ao seu excelente tutorial de início, a interface mais amigável da franquia e controles ainda melhores, aqueles jogadores que talvez se sentissem um pouco ameaçados devido à complexidade de outros títulos e sua interface não lá muito convidativa, irão se sentir mais atraídos por esse novo lançamento.

Mas o fato de Age of Empires IV ser o jogo mais acessível e amigável para novos usuários, não quer dizer que ele não agrade aos fãs de outrora. Pelo contrário. Essa é talvez a experiência definitiva que os fãs da franquia tanto aguardavam. Devido ao conturbado lançamento de Age of Empires III, o último título da franquia, lançado em 2005 que diga-se de passagem, dividiu muitas opiniões e muita gente até ignora. O fato é: Age of Empires II, jogo de 1999, era até hoje a versão mais amada pelos fãs para se jogar até 2021.

Desenvolvido em conjunto pela World’s Edge e Relic Entertainment e publicado pela Xbox Game Studios, Age of Empires IV introduz novas civilizações, uma nova campanha, combate naval, Joana d’Arc(!) e muito conteúdo para não deixar nem mesmo aquele fã mais criterioso com raiva.

Apesar de as desenvolvedoras terem optado por um gráfico não tão realista e que não proporcione um grande deleite para os olhos daqueles que hoje estão acostumados com experiências cinematográficas, ray tracing e tudo mais, Age of Empires IV opta por entregar uma experiência de gameplay muito mais refinada. O jogo oferece controles que respondem melhor, juntamente com uma interface de usuário muito mais intuitiva e uma nova abordagem para a campanha que o coloca como o herói da história.

Entre suas características notórias temos a resolução 4K como uma das grandes novidades, oito civilizações para escolher (incluindo naval), novas campanhas em grande escala e, claro, os modos multiplayer para jogar com seus amigos e travar batalhas épicas em tempo real. Escolha seu lado e comece a fazer história!

Uma gameplay feito para agradar a gregos e troianos

Embora eu já tenha experiência com jogos de RTS, especialmente na franquia Age of Empires, optei por tirar um tempinho para jogar o tutorial e me surpreendi positivamente. Com uma excelente dublagem localizada em português, em meia-horinha você já está ciente do que se trata um RTS, e claro, do que se trata essa franquia gigantesca.

É lógico que em 30 minutos você jamais irá dominar um jogo de tamanha complexidade. Mas para novos usuários, são 30 minutos bem proveitosos e que ensinam o básico do jogo. O ponto fraco é a falta de informação sobre as teclas de atalho, que em Age of Empires é uma obrigação lembrar desses atalhos para dominar o campo de batalha. Mas a excelente campanha que está incluída no jogo adiciona muito mais para quem está querendo aprender a jogar e serve como, aqui sim, um verdadeiro tutorial. Ou melhor, um excelente curso técnico de Age of Empires.

Age of Empires IV apresenta um total de quatro campanhas com 35 missões que abrangem 500 anos de história, onde no início conta a história do Duque Guilherme da Normandia enquanto luta contra o rei Harold pelo controle da Inglaterra. Esta campanha começa com a Batalha de Hastings e continua a contar a história de seus descendentes: Robert, Guilherme II e Henrique I enquanto eles continuam a lutar pelo que é hoje a Inglaterra moderna.

Desta forma, especialmente para jogadores iniciantes, você pode apreciar as unidades, os ataques e defesas e a maneira de interagir com o mapa e a economia. Sem dúvida, as campanhas é talvez onde Age of Empires IV é superior aos seus antecessores. E o que empolga ainda mais essa campanha, são os vídeos em live action que compõe a história dando um tempero extra para apreciá-la e também, porque não, aprender um pouco sobre história.

Mas essas campanhas elegantes e com um toque cinematográfico, são apenas um prefácio para as histórias que você mesmo irá criar nos mapas de partidas personalizadas com todas civilizações disponíveis para você assumir o papel de cada uma, ou escolher para lutar contra. Oito civilizações, olhando de cara, não é um número enorme, mas a variedade visual e estratégica entre essas facções é uma das evoluções mais significativas da franquia, já que cada uma tem seus aspectos que podem ajudar, ou não, sua jogatina no campo de batalha.

Cada uma dessas civilizações tem seus heróis e características particulares que a tornam única, onde optar por algum deles, vai te levar a uma abordagem diferente. Eu por exemplo, adorei jogar com os mongóis, que têm estruturas móveis para dominar cada canto do mapa à medida que avançamos. Porém é preciso avançar rapidamente com eles, então a estratégia de jogo já muda drasticamente para outros exércitos.

Ainda é válido destacar algo que ainda não foi implementado, mas já foi prometido que chegará em algum momento: a possibilidade de aplicar mods nos jogos, algo que a comunidade de Age of Empires abraça de uma forma espetacular. Desta forma, você pode jogar em mapas criados por outros jogadores que podem fornecer novas experiências de jogo. Lançar o jogo sem a opção de mod’s, é sem dúvida alguma algo que desagrada a mim e a muitos fãs da série.

Gráficos que podem agradar, pero no mucho

Eu me lembro bem que nos primeiros trailers de gameplay, eu e boa parte da comunidade de fãs reclamou bastante sobre alguns aspectos dos gráficos de Age of Empires IV. Principalmente no tamanho desproporcional de algumas armas que os soldados carregavam, e também no aspecto das animações do exército. Felizmente a Relic ouviu os fãs e fizeram as mudanças necessárias, apesar de que eu ainda sinto que poderiam ter tido um pouco mais de carinho com a animação dos soldados.

Mas no geral, é claro que houve mudanças significativas no gráfico. Principalmente em relação à destruição (paredes, assentamentos, torres, etc…), efeitos como poeira ou fumaça, ou mesmo sombras. Se você ainda não jogou as edições definitivas de Age of Empires anteriores, provavelmente vai surtar com o visual das animações quando você tiver fazendo alguns cercos.

Um aspecto negativo que me incomodou bastante, foi a falta de zoom da câmera, que não nos permite nos aproximar ao nível de “um soldado” para admirar seus detalhes ou os combates mais de perto. Quem é fã de Total War sabe o quão gostoso é dar aquele zoom gigantesco e se tornar quase que um diretor de cinema acompanhando uma batalha épica comandada por você mesmo.

No entanto, se você gosta da série, é difícil não se deliciar com os gráficos do jogo, mesmo que ele não seja um salto gigantesco que muitos esperavam.

No quesito desempenho, Age of Empires IV não parece ser uma experiência que vá limitar os usuários com computadores mais modestos. Apesar de o seu material de marketing ter sido todo vendido com o aspecto 4K, é possível rodá-lo em uma máquina mais simples em 1080p com 60fps bem estáveis. Infelizmente ele não possui o recurso de DLSS, mas isso é algo que talvez possa vir a ser adicionado ao longo do tempo.

Um deleite sonoro até para os mais criteriosos

Eu sempre me acostumei a jogar jogos desse gênero como se fossem “jogos de podcast”. Ou seja, o som lá baixinho e ouvindo um podcast, ou escutando música, ou até mesmo com tv ligada acompanhando alguma outra coisa. Mas com Age of Empires IV foi diferente.

A Relic conseguiu entregar uma imersão que deixa você completamente apaixonado por todos os gritos em combate do seu exército, e olha… é muito bom de ouvir. Sem falar dos efeitos sonoros clássicos e inesquecíveis do jogo que vai deixar qualquer fã nostálgico com uma lágrima no olho.

Seja quando você termina de criar uma unidade, corta uma árvore ou as vozes das unidades após receber uma tarefa. O som de cavalos, infantaria, as armas de cerco, e todas as armas e armaduras associadas parecem se misturar em uma sinfonia que até eu que não sou o maior entusiasta de design de som, tive que parar e apreciar. Em vez de cumprir imediatamente o objetivo da minha campanha, tirei um tempinho para mover o exército para frente e para trás pelo terreno só para ouvir todos os sons. Tudo aqui é gostoso de se ouvir.

A trilha sonora do jogo não é a coisa mais magnífica que você possa ouvir na indústria, mas o fato de como ela acompanha e se adequa perfeitamente a cada momento do jogo, as suas ações e principalmente nos vídeos cinematográficos da campanha, faz com que você não queira nunca tirar o fone de ouvido das orelhas.

Era o que fã queria ou o que ele precisava?

Age of Empires IV segue a fórmula de sucesso da franquia que tenta trazer um ar fresco e renovado para a comunidade e o gênero de RTS, entregando não apenas melhorias visuais, mas uma jogabilidade mais moderna com civilizações variadas que geram jogos interessantes em um nível mais competitivo.

Além disso, as campanhas buscam capturar novos jogadores, fornecendo histórias interessantes que ajudam a entender como a dinâmica do jogo funciona e, da mesma forma, entreter-se com excelentes filmes cinematográficos sobre as batalhas que ocorreram no passado com personagens icônicos que deixaram uma marca na humanidade.

No geral, Age of Empires IV é tudo o que um fã mais “tradicional” da franquia provavelmente estava esperando há 16 anos. Ou em alguns dos casos para quem, assim como eu não gostou de Age of Empires III, esperava um bom título da franquia há 22 anos.

Se, por outro lado, você esperava uma mudança drástica, com ideias inovadoras que mudaria o gênero, não será em Age of Empires IV que você vai encontrar.

Nota
Geral
8.0